Ceder ou não ao 'canto da sereia' dos financiamentos

Daniel Fernandes

27 de fevereiro de 2013 | 07h37

Juliana fala sobre onde obter dinheiro

Quando ouvia falar dos generosos financiamentos do BNDES, achava que era alguma pegadinha, tipo carnê do baú e cheque especial. Alguém (que não é seu pai) te emprestando dinheiro a perder de vista, com juros afetivos de duas jujubas por mês? Bom demais para ser verdade, não é mesmo? Por precaução, tratei de ficar longe de qualquer promessa milagrosa de crédito.
Passei anos sonhando com uma linha de equipamentos para dar uma turbinada na cozinha, mas sempre surgiam outras prioridades financeiras na empresa, que definitivamente não incluiam um forno especial para torrar castanhas em baixa temperatura. Fiquei namorando as máquinas por muito tempo até que, desconfiada, resolvi aceitar o conselho do fabricante e conversar com o meu gerente sobre as linhas de financiamento do BNDES.
Muito gentil, o gerente me ofereceu café, bombons e uma linha de crédito do próprio banco, que parecia absolutamente irresistível, mas que fazendo  contas de padaria era o pior negócio da minha vida desde o câmbio em forma de siri que eu arrematei, por impulso, num leilão do clube-irmão-caminhoneiro. Desiludida, esqueci o assunto.
Muitas castanhas queimadas depois, decidi procurar meu banco novamente. Depois de repetir a palavra BNDES pelo menos uma dúzia de vezes (tática ensinada por um amigo empreendor que obteve o benefício) venci o gerente pelo cansaço (os bancos tem mais lucro com as suas próprias linhas de crédito). Em uma semana recebi um formulário do FINAME (linha de financeiamento de equipamentos do BNDES) com as instruções para obter o crédito.
Fiz a solicitação em dezembro e ao que tudo indica vamos receber o dinheiro dos equipamentos no começo de março. São cinco anos para quitar a dívida, com juros de 2% ao ano. Ou seja: estou pagando a minha grande língua – felizmente, em suaves prestações.
 

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