Ceará aprova política que regulamenta negócios de impacto social

Ceará aprova política que regulamenta negócios de impacto social

Lei aprovada regulamenta e cria espaço para os negócios de impacto social no Estado em articulação com órgãos do setor público, da iniciativa privada e outros

Maure Pessanha

06 de outubro de 2021 | 17h00

Com a proposta de articular órgãos do setor público, da iniciativa privada, do terceiro setor, além de universidades e sociedade civil em torno do objetivo de promover um ambiente benéfico ao desenvolvimento de investimentos e negócios de impacto social, a Estratégia Nacional de Investimentos e Negócios de Impacto (Enimpacto) passou a liderar, há alguns anos, pautas essenciais para o avanço deste modelo no País.

Articulada em cinco eixos estratégicos, a iniciativa está comemorando uma importante conquista para o ecossistema: a aprovação da Política Estadual de Negócios de Impacto no Ceará. São eles os eixos estratégicos:

  1. ampliação da oferta de capital para os negócios de impacto
  2. aumento da quantidade de negócios de impacto
  3. fortalecimento das organizações intermediárias
  4. promoção de um ambiente institucional e normativo favorável aos investimentos e aos negócios de impacto
  5. fortalecimento da geração de dados que proporcionem mais visibilidade aos investimentos e aos negócios de impacto

Essa é uma excelente notícia para diversos atores do nosso ecossistema, sobretudo para uma nova geração de empreendedoras e empreendedores brasileiros que atuam norteados pela meta de gerar lucro e criar impacto social positivo no país. Embora a indústria tenha crescido nos últimos anos – e se consolidado como uma modalidade de empreendedorismo que dialoga com as demandas do combate à desigualdade social –, o cenário de incertezas não cria um ambiente propício e regulamentado para esses cidadãos.

Com a aprovação da lei, que regulamenta e cria espaço para os negócios de impacto social, o Ceará passa a liderar uma mudança na maneira de enxergar o empreendedorismo de impacto socioambiental no Brasil.

Lei regulamenta e cria espaço para os negócios de impacto social no Ceará. Foto: Diego PH/Unsplash

A luta por reconhecimento dos negócios de impacto social como uma das forças de transformação positiva no cenário empreendedor é nacional, mas ganhou relevância no Ceará pelas mãos de Ticiana Rolim Queiroz, criadora do movimento Somos Um. A empreendedora atua com o propósito de proporcionar o empoderamento das pessoas a partir do empreendedorismo. Hoje, a iniciativa atua no Grande Bom Jardim – um dos bairros com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Fortaleza. No local, cerca de 60% dos moradores têm até 29 anos. Para esse território, Ticiana leva conhecimento, incentivando jovens e mulheres a desenvolver a própria capacidade empreendedora como alavanca de prosperidade pessoal e coletiva.

Essa atuação permitiu, em 2019, que surgisse os negócios de impacto Bom Viver Reformas, Faz Carreira e Corre Aqui; em 2020, durante a pandemia, o Somos Um foi responsável por promover o Desafio Retoma Ceará – uma maratona para desenvolver ideias inovadoras e ágeis para alavancar a nova economia do Estado e minimizar os problemas sociais agravados pela crise sanitária. O negócio Troqueiro, vencedor do desafio, tem recebido apoio e investimento para lançar uma plataforma de escambo de produtos e serviços nas comunidades.

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Destaco outra iniciativa do Somos Um: a Trilha Florescer, projeto que empodera mulheres e realiza a capacitação empreendedora feminina para que elas possam estruturar os seus negócios: seja na fase inicial ou no fortalecimento de iniciativas existentes. A formação integrada possui aulas e mentorias sobre autoconhecimento, gestão de emoções e conflitos, empreendedorismo, planejamento financeiro, marketing e uma infinidade de temas pertinentes à jornada empreendedora.

O fortalecimento do capital humano e social dos empreendedores e empreendedoras de impacto do Brasil, oferecendo acesso a ferramentas e conhecimentos essenciais ao crescimento sustentável, cria pontes importantes no nosso País, porque dialoga com a estratégia de inclusão produtivaEsse conceito se refere à inserção qualificada de pessoas em situação de vulnerabilidade econômica no mundo do trabalho via iniciativas e políticas públicas voltadas à diminuição da exclusão social e ao aumento da produtividade do país.

A liderança do Enimpacto, do Somos Um, do Sistema B e de tantos outros elos do ecossistema se nutre desse objetivo de combater a escalada da desigualdade social com o imperativo de atuarmos juntos pelo bem comum. 

Maure Pessanha é empreendedora e diretora-executiva da Artemisia, organização pioneira no fomento e na disseminação de negócios de impacto social no Brasil.

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