Carreira profissional: Você tem um segundo paraquedas?

Daniel Fernandes

18 de dezembro de 2015 | 06h10

Olhe a primeira figura abaixo. Representa a distribuição esperada da população brasileira em 2030. Você estará em qual faixa?

Agora, analise a figura acima à direita. Ilustra o processo de “juniorização” das empresas. E novamente, a pergunta: Você estará em qual faixa?
Para muitos que querem continuar trabalhando como empregados, infelizmente, não estarão em nenhuma das faixas nas empresas. Empresas, não só as brasileiras, estão em um contínuo processo de redução de custos e o maior deles, em geral, é o de mão-de-obra. Por isso, preferem contratar profissionais mais jovens, mais baratos, mais flexíveis e, em geral, mais dispostos a trabalhar mais horas.
As empresas também investem em tecnologias que automatizam processos e estão sempre dispostas em analisar oportunidades de terceirização. Processos de fusões com concorrentes ou parceiros também são boas saídas para reduzir custos de empregados com funções duplicadas. E ainda têm as novas tecnologias que criam novas formas do trabalho ser executado. Por estas e outras razões, envelhecer e continuar empregado não se resume simplesmente a continuar batendo metas (cada vez mais altas), mas ser percebido como investimento e não como recurso e muito menos como custo. E mesmo estes profissionais, precisam ter um segundo paraquedas na carreira.
E este segundo paraquedas tem um nome: Empreendedorismo.

Se você se viu na primeira figura, mas não consegue se enxergar na segunda, aproveite esta virada de ano para preparar seu segundo paraquedas da sua carreira profissional.
Não há uma única receita para empreender. Portanto, crie a sua. Faça uma lista de empreendedores que admira. Em seguida, pesquise como começaram. Entenda como identificaram a oportunidade de negócio e como a colocaram em prática. Howard Schultz, empreendedor da Starbucks fez exatamente isto.

Empreenda de forma profissional, estudando os métodos de planejamento e execução de novos negócios. Se pensar em um negócio mais tradicional, estude conceitos como Effectuation e plano de negócio. Se decidir por algo muito inovador, aprenda a utilizar abordagens como Lean Startup, Customer Development e Lean Analytics. Em todos os casos, domine ferramentas como Canvas da Proposta de Valor, Canvas do Modelo de Negócio e Job to be Done.
Se tiver um tempo, faça a sua pesquisa de campo, visitando futuros concorrentes e conversando como potenciais clientes.
Por fim, faça a sua própria rede de apoio se juntando a outros empreendedores, especialistas, consultores e mentores.
E não encare isto como recursos ou custos, mas como investimentos! Pensando agindo assim, você volta a aparecer na segunda figura, mas agora como empreendedor da sua própria vida!
Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper