Cadê a lógica nas contratações de talentos nas empresas?

Cadê a lógica nas contratações de talentos nas empresas?

Depois de encontrar um talento, você vai saber mantê-lo motivado? Vai ouvir suas sugestões de mudança e dar-lhe autonomia? É preciso maturidade para reter esse profissional, conta especialista em artigo

Ana Vecchi

12 de dezembro de 2019 | 11h17

Os talentos sempre foram procurados, no mercado, por executivos de RH e head hunters. São, praticamente, o sonho de consumo de empresários de todos os setores e portes de empresas. Classificados como plenos e seniores, os profissionais com boa experiência anterior e histórico de metas atingidas são singulares.

Com cases marcantes divulgados pela imprensa, comentados entre as marcas concorrentes e invejados pelos executivos que queiram ser a referência no assunto, esses talentos não se multiplicam por meio de treinamentos e, dificilmente, atuam apenas pelas técnicas comuns às áreas das empresas, metodologias ou processos.

Já foram denominados “veteranos” devido à experiência, mas este adjetivo caiu em desuso porque fazia parecerem velhos ou trazia a conotação de ultrapassados. Como os baby boomers (1950-1964) e a geração silenciosa (65 anos ou mais) lidariam com os millenials e com as gerações que estão nascendo e crescendo?

Porém, como os millenials lidariam com os baby boomers ao resolverem atuar em uma marca que atende este público? E como se definiriam os talentos para esta situação que o mercado impôs às empresas franqueadoras, seus franqueados e às marcas que atuam independente de um ecossistema em rede?

Há inúmeros juniores considerados talentos, tanto nas startups, como nas áreas de marketing, de inovação ou empreendendo! E, mais ainda, os que sonham em se tornarem unicórnios como que num estalar de dedos. Maluco isso, não?

A dinâmica do mercado, cada vez mais alucinógena, leva e traz palavras – substantivos e adjetivos, agrega novas definições criadas por um ser iluminado, criativo ou total crazy! E lá vamos nós todos surfando nas ondas que surgem em oceanos azuis, vermelhos ou nas cores do arco íris.

Talentos são o sonho de consumo de todos os empresários: invejados e singulares. Foto: Katie White/Pixabay

Mas, e os talentos? Estão bem definidos, para a sua empresa, os adjetivos que compõem o que é um profissional de talento? Os verbos que ele pratica? E por que você o quer ou a procura entre tantos currículos ou membros do LinkedIn?

Mais perguntas: depois de encontrá-lo, tem ideia do que fazer com esta criatura única e tão promissora para sua estrutura? Qual o grau de autonomia, quanto vai usar de sua expertise e ouvir das sugestões propostas, aceitar as mudanças provocadas e, ainda, vibrar com os resultados obtidos?

Uma pequena provocação: vai saber manter a motivação do talento? Porque, se for para contratar e não deixar o ser voar, pouco mais de um ano após a contratação, o cartão vermelho vai chegar para você que contratou ou mandou contratar.

Talentos não nasceram para fazer mais do mesmo ou para serem tolhidos, sequer questionados, entendeu? O que dirá mandar desfazer ou refazer o que foi feito sob sua autorização ou concordância? E não quero dizer que são intempestivos ou insuportáveis para se lidar. São talentosos e fazem a diferença! Em geral, sabem o que estão fazendo e por quê.

Já te explicaram as estratégias, as formas que negociarão, te mostraram a visão e provam com números, gráficos e palavras porque será feito desta ou daquela forma. Mas… não atrapalhe, por favor! Por mais que a empresa seja sua ou que você seja um C Level, head, diretor, o profissional sênior que você seduziu com sua proposta de emprego e contratou tem um limite de paciência inferior ao desejável ou imaginado por você e pelo RH. Não tem tempo a perder com pouca visão e/ou seu expertise desperdiçado, ok?

Moral da história: é preciso lógica e coerência em qualquer processo de contratação, concessão de franquia ou proposta de oportunidade de negócio, escolha de franqueados, sociedade ou qualquer outra forma de trazer alguém, junto de você, na trilha de sua vida profissional. E que, por vezes, estará lado a lado contigo, às vezes te puxando, à sua frente e, raras vezes, atrás de você.

Isso tem um preço a se pagar, para enfrentar essa escolha de alguém que pode saber muitas coisas, mais do que você, que tem mais drive ou coragem de te enfrentar: maturidade.  E não estou falando de idade. Cuide do que conquistou e não deixe escapar. Exercite esse talento!

* Ana Vecchi é consultora de empresas, CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBAs, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 28 anos em inteligência na criação e na expansão de negócios em rede.

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