Brasil, o pais do futuro

Daniel Fernandes

22 de maio de 2017 | 12h54

A questão que realmente ocupa meus pensamentos agora é como recuperar o rumo DEPOIS da crise – isso considerando que a crise passe ANTES de quebrar a todos, né? Acredito que vale a pena abrir esta discussão franca e iniciar a troca de ideias convergentes. Não existe, no Brasil, um plano e nem exemplos a serem seguidos, nos indicando o que fazer numa situação assim. Vamos ter que inventar.
Sem dúvida que não é mais questão de empresários ou trabalhadores, isolados, falarem sobre emprego ou economia. Tampouco vejo sentido em seguir diretrizes dos políticos, se eles continuarem separados do resto de nós, apenas pensando no próprio benefício. E acredito que, acima de tudo, não é momento para recriminações.
Seria o momento, agora, de toda a sociedade conversar sobre como encontrar um caminho razoável para todos – sem dúvida com muita austeridade – e com uma visão de curto e médio prazo que seja efetivamente realizável. Fugir das promessas fáceis de esquerdas e direitas será o primeiro grande desafio. O Chapolin Colorado não vai vir nos salvar.
Veja bem, já não somos colônia há um bom tempo. Já estamos integrados num mundo interconectado e livre. Somos bastante esclarecidos – e quando não, temos o GOOGLE pra consultar. Então não podemos mais apelar para a velha desculpa de sermos vítimas ou ignorantes de nossos males. Temos que assumir definitivamente que nossos políticos nos defraudaram, e voltarão a nos defraudar se pensarmos neles pelo que não são: salvadores. Os políticos são apenas a média perfeita de todos nós. Ou seja, se a gente não mudar, nossos políticos não mudarão.
Individualmente eu e você podemos pensar que os erros não são nossos, são dos outros, e todo esse papo que muita gente fala para se sentir melhor. Mas o fato é que, como sociedade, nossa opinião individual é subordinada à grande média. Vamos avançar e prosperar na velocidade que nossa parte mais lenta conseguir. E não vejo muito eficiência em ficar sentado e reclamando disso.
Eu, que acredito basicamente no trabalho, no Estado mínimo, e na maioridade do Brasil, penso que é urgente encarar nossos erros e recomeçar pragmaticamente a partir do que temos em mãos. O que não é pouca coisa, se juntarmos todos os cacos e tudo o que temos espalhado e desperdiçado por aí. Um pouco de boa vontade de todos seria um bom começo.
Mas o que fazer? Talvez buscar inspiração no Japão pós-guerra, na Alemanha pós-guerra. Ou até mesmo na Irlanda e na Espanha pós-crise de 2008. O que os cidadãos desses países, em sua grande maioria, fizeram? Começaram a trabalhar. Em qualquer coisa – pois qualquer coisa é um avanço melhor que nada. E os políticos foram mudando também, foram sendo trocados, acompanhando as motivações da sociedade. Então acho que devemos trabalhar pensando não mais em nós mesmos (pois talvez nossos melhores anos já foram perdidos). Acho que devemos trabalhar para que a geração que virá depois tenha uma chance melhor que a nossa. Será nosso legado. Humilde, simples, pobre. Mas que seja honesto.
Porque de desonestidade estamos fartos.
Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo escreve no Blog do Empreendedor. ivan.primo@pastificioprimo.com.br

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