Bio-makers, emancipação de robôs e aumento da confiança digital são destaques do NetExplo 2016

Daniel Fernandes

11 de fevereiro de 2016 | 08h56

Marcelo Pimenta (menta90) é professor de inovação da ESPM e representa o Brasil no Conselho Acadêmico da NetExplo. Para saber mais curta http://facebook.com/menta90

Quais as novidades tecnológicas de maior impacto em todo o mundo no último ano? Responder essa questão é o desafio que o NetExplo (organismo independente, com suporte da Unesco) busca fazer, anualmente, com o apoio de professores e estudantes de 17 países (dentre eles China, Israel, África do Sul, Inglaterra, Chile, Bélgica…).  Desde 2014 tenho a honra de representar o Brasil nesse seleto grupo. Meus alunos da pós-graduação em marketing digital da ESPM são estimulados, junto com alunos desses países, a identificar as tecnologias digitais que tem o maior potencial de mudar o mundo – e afetar a sociedade. No ano passado foram mapeadas 2.175 tecnologias, analisadas por especialistas com diferentes competências. O resultado foi apresentado no Fórum NetExplo, que  aconteceu nessa quarta-feira, 10 de fevereiro, em Paris.
As principais inovações de 2015 foram organizadas em três grupos:
– Iniciativas bio-maker (incluindo todas aquelas que surgem da intersecção da internet das coisas com a biotecnologia);
– Tecnologias que visam o aumento da segurança e confiança digital;
– Projetos que trabalham pela emancipação dos robôs.
Designer colombiano Carlos Torres discursa como vencedor do NetExplo 2016
O grande vencedor do NetExplo 2016 vem do grupo das inovações do movimento bio-maker:  IKO, um sistema protético criado pelo designer colombiano Carlos Torres, que ajuda crianças com os braços malformados ou feridos a recuperarem a autoestima e os movimentos usando uma prótese modular com a qual podem brincar. O projeto usa braços e mãos compatíveis com peças de Lego. As crianças podem personalizá-los escolhendo diferentes formas, cores e acessórios (e fugindo daquele estereótipo de próteses feias, grandes). Um exemplo de como a tecnologia, aliada a criatividade e a imaginação, podem ajudar crianças a superar uma desvantagem. O vídeo (em inglês) está aqui.
Crianças recuperam movimentos e vencem o preconceito brincando
Uma nação, uma conversa  – projeto liderado pela startup Aweza e apoiado por várias instituições sul-africanas – faz parte do grupo de inovações que buscam aumentar a utilidade e a confiabilidade das tecnologias digitais. Como nem sempre é fácil o entendimento entre a população que vive em um pais com 11 línguas oficiais, Aweza é um aplicativo de tradução móvel que torna o diálogo muito mais acessível. Usando crowdsourcing e técnicas de gamificação, o projeto incentiva voluntários a gravar a sua própria pronúncia de palavras e frases. O resultado não é apenas uma ferramenta útil, mas um banco de dados criado por uma multidão de voluntários. E vem mudando a vida de milhões de pessoas, principalmente na saúde e na educação. Veja o vídeo (em inglês)
Aplicativo elimina barreiras entre dialetos na África do Sul
Vem da Noruega o destaque do grupo dos robôs inteligentes. Pesquisadores da Universidade de Oslo desenvolveram um robô que é capaz de aprender com os erros, adaptar-se ao ambiente em que está inserido, assim como reparar ou criar novas peças para ter uma performance melhor. Ele usa uma impressora 3D integrada para produzir seus próprios componentes, de forma autônoma. A ideia é que o robô possa ser útil tanto para ajudar em resgates de humanos em desastres assim como para explorar lugares inacessíveis (no fundo do mar, cavernas profundas ou ainda outros planetas). Veja o vídeo para entender como ele funciona (em inglês)
Robô imprime partes que necessita para melhor performar
Para conhecer as 10 inovações vencedoras do NetExplo 2016 acesse

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