Duas semanas sob uma tensão punk

Daniel Fernandes

30 de abril de 2014 | 11h56


Leo Spigariol escreve toda quarta-feira
Essa semana estou escrevendo meu post aos 45 minutos do segundo tempo. Por falar em tempo, o que é isso mesmo?
Faz duas semanas que estamos sob tensão punk em um esquema de contagem regressiva, que quanto mais próximo do dia 5 ficamos, data de lançamento do molho do Marky Ramone, mais cafés eu tomo. Ontem contei: foram 8 xícaras das grandes. Anteontem foram 7.
Serve como um conforto e, ao mesmo tempo, acelerador pra conseguir acompanhar essa velocidade frenética de tudo ao mesmo tempo agora.
Talvez para mim não seja tão difícil de segurar essa peteca de overdose de informação porque minha escola começou cedo e tive que aprender a lidar com isso cedo.
No primeiro semestre da faculdade consegui um estágio no estúdio de um agência de marketing que estava passando por um momento de crescimento bem acelerado. Isso foi em 1998. Perdi a conta das vezes que saia da faculdade, umas onze e meia da noite, e voltava para a agência para terminar o projeto. As vezes dormia umas duas ou três horas em casa e quando via estava de volta à agência.
Quantas cervejadas perdi? Acho mais fácil contar quantas eu fui. Uma. Lembro-me também que no começo minha mãe ficou super desconfiada, achando que estava aprontando algo, mas depois viu que quem trabalha com comunicação não sabe dividir o racional do emocional.
E essa parte de ‘trabalhar muito’, ‘ficar acordado a madrugada inteira’ e outras situações de superação de limites ao meu ver não são tão difíceis assim quando você aproveita a juventude e energia de sobra para treinar isso.
Tínhamos um recorde de horas acordados no estúdio, trabalhando sem piscar: 42 horas seguidas, em frente ao computador, na base de chá mate gelado e chocolate.
Lembro-me que nesse dia, saímos eu e meu chefe, depois dessa longa jornada e fomos direto para a Vila Madalena, em plena madrugada de sexta-feira comer um churrasco para forrar o estômago antes de dormir. Saudades dos meus 22 anos de idade, quando isso era possível.
E hoje sou extremamente grato por ter vivido isso tão intensamente e sido forjado ao sangue, suor e lágrimas para conseguir aprender a correr contra o tempo, aguentar pressão, ficar sem dormir e decidir as coisas de forma rápida, sem ter crise de pânico.
Tenha em mente que muitas vezes vai precisar abrir mão de muitas coisas, simplesmente porque empreender te exije, e muito. Muito mesmo. E empreender tem disso. Hoje, estou aprendendo a lidar com essa necessidade enorme de estar em diversos lugares e lidando com vários assuntos ao mesmo tempo.
A tal da ‘nuvem de dados’ ajuda muito nessas horas, mas a previsão é de tempestade se formando à frente. Respire fundo e abra o guarda-chuvas.
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