As semelhanças de esportistas e empreendedores

Daniel Fernandes

11 de fevereiro de 2016 | 08h42

Muitos empreendedores – inclusive eu – tem uma ligação profunda com esportes, ao ponto que isso me faz pensar no quanto o esporte influencia o comportamento empresarial. Não estou falando sobre esportes contemplativos ou relaxantes – muito pelo contrário – me refiro a esportes sacrificantes e desafiadores.
Dizem que a semelhança entre esportistas e empreendedores – na prática do jogo ou dos negócios – está em maximizar os pontos fortes e defender os pontos fracos. O entendimento – mesmo que instintivo – dos pontos fortes faz com que o atleta – e o empreendedor – encontre uma posição única no jogo, na qual podem usar todo esse potencial de valor, ao mesmo tempo que tentam identificar as fragilidades e estabelecem estratégias de defesa.
Eu listo aqui sete semelhanças básicas que percebo entre atletas de alta performance e empreendedores de sucesso:
1. Paixão – a maioria dos empreendedores são movidos por uma paixão pelo seu negócio. É essa força que o mantém trabalhando até tarde da noite, longe da família, aos finais de semana, nos feriados. Assim como o atleta que ama o esporte que pratica e acorda de madrugada para treinar.
2. Tenacidade – quando tudo está indo bem, é fácil ser empresário. Já o verdadeiro empreendedor continua insistindo mesmo quando as coisas estão difíceis, muitas vezes se nega a aceitar a derrota em busca de soluções. O bilionário Abilio Diniz é assumidamente um apaixonado por esportes desde a infância, com especial dedicação às corridas de longa distância e várias maratonas internacionais no currículo. Notório por uma fortuna construída em sucessivas brigas com família, sócios e investidores, a garra e determinação (alguns chamam de obstinação) do Abilio nos negócios sem dúvida são características que combinam com a resistência de conseguir correr os 42 km de uma maratona.

3. Autoconfiança –  o empreendedor tem muito mais propensão a assumir riscos justamente pela confiança de que vai conseguir o resultado que visualizou. Uma vez um amigo me falou que a diferença entre o melhor tenista do mundo e o número 100 do ranking era apenas de autoconfiança. E faz todo sentido para mim.
4. Tolerância ao medo – é assustador assumir riscos, começar um negócio novo, apostar tudo o que se tem em um negócio. O empreendedor deve ser capaz de usar este medo como combustível. Para o atleta, por exemplo, pode ser o medo de treinar por 4 anos e fracassar na Olimpíada. Barreiras que devem ser superadas.
5. Visão – enxergar um caminho possível até o sucesso é uma característica indispensável do empreendedor e do atleta, que mentaliza, antes de cada jogo, a imagem da vitória, o resultado do jogo, como vai conseguir colocar a mão na taça.No Brasil, um exemplo indiscutível de liderança empresarial é o Jorge Paulo Lemann. Ele conta no livro Sonho Grande que quase foi tenista profissional, mas afinal o mundo dos negócios foi mais sedutor. Mesmo assim ele nunca abandonou o esporte, e afirma ter aprendido muitas lições com o tênis, a principal delas foi “aprender a perder”. Dizem os boatos que ele, que já é um senhor de setenta e poucos anos de idade, joga tênis com os amigos sempre para valer, lutando cada ponto.

6. Flexibilidade – ser capaz de fazer mudanças, adaptações e assumir mais responsabilidades ou mais trabalho, são características de um empreendedor e de um atleta.
7. Quebrar as regras – muito já foi dito sobre a necessidade de desafiar as convenções, tentar fazer aquilo que foi dito que nunca seria possível de ser feito. Atletas também adoram quebrar recordes e conquistar o inédito.Um cara que sabe quebrar as regras como ninguém é o inglês Richard Branson, um alucinado por adrenalina, e com diversas anotações no livro de recordes Guiness: conseguiu o recorde de velocidade de travessia do Atlântico em barco em 1985, depois de fracassar várias vezes. Depois foi o primeiro a atravessar o Atlântico de balão em 1986 – ele também tentou fazer a volta ao mundo de balão em vôo único por 3 anos seguidos, mas fracassou. E agora, aos 61 anos de idade (em 2014), foi o homem mais velho a cruzar o canal da Mancha num kitesurf, além de mais um bizarro recorde que é o de maior número de pessoas numa prancha de kitesurfing… com 3 lindas modelos.

Provavelmente você, empreendedor que me lê toda semana, também deve ter seu esporte preferido – caso não, talvez pense em mudar de ideia após a leitura.
Atletas e empreendedores podem usar roupas diferentes no trabalho de cada um, mas encaram o desafio da mesma forma. Mesmo porque negócios e esporte são jogos. Em que se ganhou ou se perde. Não existe meio termo.
Ivan Primo Bornes – fundador do Pastifício Primo, masseiro e esportista.

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