Conheça as pessoas e os lugares para quem quer empreender em SP

Daniel Fernandes

23 de setembro de 2016 | 11h58

Se ignorarmos o Complexo de Vira Lata, notaremos que a cidade de São Paulo está se posicionando entre os melhores ecossistemas de empreendedorismo digital do mundo e isto é o resultado de iniciativas e principalmente de pessoas que se destacariam em qualquer lugar do mundo.

 
Para perceber esta nova realidade, a viagem começa por um bairro que nem os paulistanos sabem direito onde fica, os Campos Elíseos. Pelo fato de ter sido o primeiro bairro nobre da cidade, onde os ricos fazendeiros de café construíam suas residências, ainda é possível apreciar a beleza da arquitetura de algumas construções enquanto se dirige para a Alameda Eduardo Prado, 397. É neste local que Rogério Tamassia trabalha. Em parceria com a seguradora Porto Seguro, ele e a sua equipe, criaram a Oxigênio, uma das mais jovens aceleradoras de startups de São Paulo e justamente em uma região que tanto precisava de novos ares. Dos Campos Elísios, é possível se conectar diretamente com a cidade de Sunnyvale, uma das principais do Vale do Silício, onde a Plug&Play, aceleradora parceirassa da Oxigênio, tem sede.
Depois de dar uma oxigenada na sua capacidade empreendedora, é preciso tomar um vento na Bela Vista. De metrô, é fácil, fácil. É só descer na estação Vergueiro, caminhar 500 metros e chegar à Rua Martiniano de Carvalho, 851. Aqui fica aceleradora do Grupo Telefónica, a Wayra, que em linguagem Quechua, falada pelos antigos povos andinos, significa vento. A Wayra vem trazendo bons ventos para o ecossistema de empreendedorismo brasileiro desde 2011, tendo acelerado mais de 50 startups, inclusive algumas já bem conhecidas como a Qranio, outras que estão tendo um crescimento acelerado como a Reglare e grandes promessas como a QueroQuitar. Se tiver sorte, vai encontrar o sempre elegante Renato Valente, empreendedor bem sucedido, que agora lidera a Wayra e a Telefónica Open Future, iniciativa de inovação aberta do grupo espanhol.
Depois de uma caminhada de 10 ou 15 minutos, terá chegado à Av. Paulista, 171. É neste prédio que fica a ACE, o novo nome da Aceleratech, que se posiciona como a melhor aceleradora da América Latina, pois tem ganhado este título no Latam Founders Awards há três anos. A ACE tem se especializado em acelerar startups que são adquiridas depois como ocorreu com a Fundacity, SkyHub, Infoprice e mais recentemente com a LoveMondays. O e a cabeça da ACE é Pedro Waengertner, alguém com consegue integrar conhecimento de empreendedorismo digital, didática, comunicação e simpatia como poucos. Isto explica porque é um dos professores mais queridos da ESPM.
Da Av. Paulista, a poucas quadras, na Rua Coronel Oscar Porto, 70, fica o novíssimo Google Campus. Ao contrário das outras aceleradoras onde seria necessário agendar uma reunião, aqui basta fazer um cadastro pela internet e se tornar membro. Os andares mais baixos são de livre acesso, enquanto que os mais altos são para startups pré-selecionadas. Talvez encontre o Andre Barrence, head do Google Campus. Importado de Minas Gerais onde tinha sido um dos responsáveis por organizar o ecossistema de empreendedorismo digital de Belo Horizonte, agora faz o mesmo excelente trabalho na versão paulistana do Google. Ainda no Campus, tem a chance de encontrar o Felipe Matos, outro ícone e um dos principais hubs de empreendedorismo digital do Brasil e responsável pelo êxito do programa Startup Brasil. De volta a sua fazenda, Felipe é um dos líderes do Startup Farm, considerada a maior aceleradora de startups da América Latina, iniciativa que tinha co-fundado, e que agora também está baseada no Google Campus. O local também abriga outras duas iniciativas fundamentais para o fortalecimento do ecossistema de startups no Brasil. A TechStars é mais conhecida por organizar os Startup Weekends por todo o país, mas esta organização internacional, liderada pelo Tony Celestino no Brasil tem sido essencial na formação de toda uma nova geração de empreendedores. E a Innovators, coordenada pelos globe trotters André Monteiro (no Brasil) e Bedy Yang (Estados Unidos) é uma das principais responsáveis por criar conexões fortes e constantes de empreendedores brasileiros com o Vale do Silício.
O dia estará acabando quando pegar um Uber e se dirigir para a Vila Olímpia. Na Rua Casa do Ator, 919 fica um prédio com o sugestivo nome de Cubo, que em menos de um ano de existência se tornou o maior ponto de conexão de empreendedorismo digital do Brasil. É difícil definir o Cubo, resultado da parceria entre o Banco Itaú e a firma de venture capital Redpoint, já que é um espaço de coworking de mais de 50 startups e grandes empresas, local de vários eventos e treinamentos diários e local de networking e co-desenvolvimento de inovações. A frente de tudo isso, o multi-homem, incansável e sempre solícito Flávio Pripas. Eleito uma das 100 pessoas mais criativas do mundo pela revista Fast Company, Pripas também é uma das pessoas mais queridas do ecossistema de empreendedorismo digital brasileiro. Como há tantos eventos no Cubo, é bem provável que termine o dia em um happy hour no rooftop do prédio batendo um papo com ele…
Marcelo Nakagawa é Professor de Empreendedorismo e Inovação do Insper e Diretor de Empreendedorismo da FIAP.

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