As perguntas mais comuns entre os que pensam em comprar uma franquia

As perguntas mais comuns entre os que pensam em comprar uma franquia

No quarto capítulo da série com dicas para quem quer empreender com franquias, a especialista em franchising Ana Vecchi tira as dúvidas mais comuns dos empreendedores

Ana Vecchi

19 de setembro de 2019 | 14h39

Nesta semana, tive a oportunidade de ministrar o curso “Entendendo o franchising“, na ABF – Associação Brasileira de Franchising, para cerca de 30 pessoas que pensam em comprar uma franquia ou em se tornar franqueadoras.

Foi um período muito agradável, com uma turma aberta a brincadeiras, provocações e reflexões. Dezenas de perguntas que, ao longo dos meus 30 anos de consultoria, continuam tirando o sossego de quem precisa dar o tiro certo, com uma economia instável, lucros projetados em menores índices e tanta história de insucesso ou frustrações que até parece que são em maior número que as de sucesso.

Entre nós havia publicitários, advogadas, engenheiro, administradores, marketeiros, profissionais de tecnologia e um oficial de justiça – com o rosto, o sorriso e o olhar mais doces daquela turma! Quando ele se apresentou, paramos com a pergunta em coro: oficial de justiça? Como assim? E então vieram as outras questões: como você entra em um condomínio, como você lida com as pessoas, como você trabalha?

E ele me surpreendeu com esta pergunta: “Ana, quando vou investigar uma franquia para investir, o que…?” A pergunta, em si, não interessa aqui, mas achei demais que ele “investiga” uma franquia e não “pesquisa”, como todos, para comprar! Nos divertimos com a forma com que cada um conduz suas análises em função de suas formações, experiências e expectativas.

Ilustração: Pixabay

Uma jovem mãe, executiva de companhia transcontinental, carioca, morando no interior de São Paulo trouxe questionamentos muito ricos, que permitiram exemplificar o que é conceito de negócio bem definido, as diferenças culturais e comportamentais de Estado para Estado, os cuidados na escolha de uma marca em função de sazonalidade, mix de produtos que podem não ser apreciados em determinada região, ainda que um sucesso absoluto em outra. Suas dúvidas, assim como as certezas, ajudaram a enriquecer o conteúdo do curso com cases práticos.

O retorno do investimento é um assunto que traz sempre muitas possibilidades de análises. A média de mercado, para as franquias que exigem investimentos de R$ 200 mil a R$ 500 mil, é de 24 meses. Acima desses valores, de 36 a 48 meses, portanto os contratos devem ter vigência acima de 5 anos. Não se pode deixar de avaliar o valor de ponto, pois há casos em que este valor inviabiliza investir em determinada marca.

No estudo de viabilidade financeira por franquia avaliada ou investigada (nunca mais vou esquecer) deve-se projetar todo tipo de despesa, custos fixo e variável, calcular o pró-labore porque franqueado também paga contas pessoais. Há modelos de planilhas na internet que facilitam as análises caso você não tenha familiaridade com o assunto finanças ou com o setor que está analisando.

Documentos importantes

A documentação jurídica deve atender a Lei nº 8.955, de 1994, que é uma lei muito simples e que serve de base, quase que um roteiro, para que os candidatos à franquia saibam o que uma empresa franqueadora deve esclarecer antes da assinatura do contrato de franquia. O conteúdo da lei está disponível na internet, é de fácil compreensão e é fundamental a leitura a partir do momento em que quiser se aprofundar na pesquisa de franqueadoras, participar de reuniões e buscar informações, sabendo tudo que um franqueador deve lhe apresentar.

A Circular de Oferta de Franquia (COF) é um documento que deve estar à sua disposição, no mínimo, 10 dias antes da assinatura do (pré) contrato e disponibiliza todas as informações exigidas pela Lei de Franquias.

Importante salientar que a lei não exige que o franqueador dê treinamento, faça supervisão das franquias ou entregue manuais, mas que ele faça a indicação do que é efetivamente oferecido aos franqueados no que se refere a estes aspectos citados e a serviços prestados assim como os de orientação, os de análise e escolha do ponto onde será instalada a franquia, layout e padrões arquitetônicos nas instalações.

Se a franqueadora dá treinamento aos franqueados e aos funcionários, deve especificar a duração, o conteúdo e os custos, quais os manuais são entregues e com que frequência visita as unidades para checar se estão conforme os padrões estabelecidos.

No artigo anterior coloquei uma tabela como sugestão e acho que nunca é demais reforçar a utilidade dela para a análise comparativa entre as marcas. Estude muito antes de definir no que irá empreender. Na dúvida, respire e continue suas pesquisas. Busque especialistas.

E, franqueadores, façam o melhor por suas empresas e marcas. Escolham os mais conscientes candidatos e vamos continuar construindo o melhor franchising!

Ana Vecchi é consultora de empresas, CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBAs, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 28 anos em inteligência na criação e na expansão de negócios em rede.

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