As (minhas) cinco regras para a meritocracia funcionar

Daniel Fernandes

27 de maio de 2013 | 07h06

Na ClearSale, a meritocracia via PLR se faz pela divisão do lucro


Pessoas que sabem do seu mérito e de suas responsabilidades querem lugares para trabalhar também meritocráticos.  Compartilho aqui três depoimentos no LinkedIn de leitores do último post sobre os desafios e importância da meritocracia:
Márcio Teschima: Eu acredito que só pela meritocracia conseguimos de nossas equipes o gás para sempre ir em frente e cada vez mais longe; o estímulo da meritocracia também faz com que as pessoas adentrem a cultura da empresa e que sejam sua mantenedora e multiplicadora. Acredito esse ser o formato ideal para se conduzir um objetivo comum.
Marcello Marcomini: Realmente, uma meritocracia bem aplicada traz excelentes resultados (já fui prova disso), porém, usar na equipe apenas o termo meritocracia e, no final das contas, ela se tornar apenas uma palavra vazia, os efeitos contrários são praticamente irreversíveis (já vivenciei coisas parecidas também). Que cada um de nós possa viver a meritocracia pelo trabalho bem aplicado, mesmo que para os demais os resultados não sejam tão notáveis!
Gabriel Augusto de Francisco: Acredito que, quando usamos a meritocracia de forma correta em nossas vidas, o resultado possa ser surpreendente. As medalhas, dinheiro e etc. serão meras consequências que vão surgir ao longo da caminhada. Acredito que a pergunta que cada um deva fazer a si mesmo é “qual é a minha meritocracia?”
A empresa tem os seus desafios de fazer certo e ser justa neste processo de compartilhar o sucesso. O mérito profissional pode ser uma promoção, um aumento de salário ou a distribuição do PLR (participação nos lucros e resultados). Todas as empresas, independentemente do tamanho, podem ter um processo meritocrático que se inicia na conversa sobre o processo em si (regras, cálculos, conceitos financeiros, etc.) englobando as metas a serem atingidas e, principalmente, o processo de avaliação. A avaliação é crítica e deve ser transparente e franca.
Ela é uma grande oportunidade para o crescimento pessoal e profissional, pois aqui reside o laço de confiança, importantíssimo para qualquer relacionamento. A confiança nasce e sobrevive do senso de justiça inerente a este processo. Sendo assim, esta conversa não pode ser somente pontual e, sim, uma construção diária e imediata, principalmente quando algo errado acontece na esfera comportamental.
Entender o processo financeiro da distribuição, no caso do PLR, é outro grande desafio. O que é margem Ebitda? O que é Ebitda? Nem eu conhecia esta sigla nos primórdios do empreendedorismo, tive que procurar no Google. Contudo, estas dificuldades são uma fonte muito rica para que as pessoas, aos poucos, entendam a importância de conceitos fundamentais para uma empresa ter sucesso: margem, Ebitda, lucro, custo, impostos (nosso maior sócio), orçamento, meta agressiva ou moderada, etc.
Na ClearSale, a meritocracia via PLR se faz pela divisão de 20% do lucro líquido da empresa. Para ilustrar este processo, vamos descrever suas cinco principais regras. Primeiro, para distribuir é preciso a empresa bater as metas de Ebitda e margem Ebitda estipuladas no início do ano. Segundo, dividimos o dinheiro entre os departamentos, de forma que todos tenham a possibilidade de ganhar a mesma quantidade de salários.
Terceiro, validamos se a área cumpriu suas metas financeiras de orçamento e investimentos. Quarto, calculamos o quanto cada pessoa vai receber por meio de um fator obtido pela multiplicação de seu salário, do fator multiplicador do cargo, dos dias trabalhados no ano anterior e da nota de avaliação de desempenho. Quinto, cada pessoa tem metas vermelhas que, se não forem batidas, levam à perda de 50% da quantia a receber e, caso tenham faltado às T!erças-Feiras (momento para formação humana), mais 30%.
O exemplo da ClearSale do PLR é complexo pelo tamanho e diversidade de cargos dentro da empresa, podendo ser bem mais simples para empresas menores. Não esquecer que o PLR também deve ser aprovado pelo sindicato ao qual a empresa está ligada.
Dois grandes aprendizados que tivemos na construção do PLR foram o fator multiplicador do cargo e o retorno do dinheiro para a empresa, caso as metas não fossem atingidas. Queríamos que as pessoas com maior responsabilidade ganhassem mais para ficarmos aderentes ao mercado. Mas este fator também deixava a retirada dos demais, às vezes, muito menor.
Dependendo da situação e do dinheiro a ser distribuído, diminuímos o fator multiplicador para que todos consigam pelo menos um salário. Com isto, a distância e o senso de injustiça que o fator trazia anteriormente foram dizimados.  O segundo aprendizado foi o retorno do dinheiro para a empresa quando as pessoas não batiam as metas ao invés de dividir o bolo com os demais. Evitamos assim a competição interna entre colaboradores e estimulamos mais o mérito pessoal, dela com ela mesma.
Enfim, o mérito começa dentro das pessoas e a meritocracia na empresa estimula este aprendizado interior, além de ser um excelente método para mantê-las engajadas e felizes. Se você ainda não tem nada parecido em sua empresa, então pare um dia e converse francamente com as pessoas sobre isso e sinta a transformação delas. Viva a meritocracia!

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