As lições que as franquias podem tirar das escolas de samba e do carnaval

As lições que as franquias podem tirar das escolas de samba e do carnaval

Trata-se de trabalho em equipe com a escolha dos melhores empreendedores (passistas, ritmistas), treinamentos (ensaios) e uniformes impecáveis (fantasias)

Estadão

14 de março de 2019 | 10h12

Por Ana Vecchi *

O espetáculo que vemos nas avenidas, todos os anos, nos mostra que sempre é possível fazer melhor, aprimorar os detalhes e que segundos fazem toda a diferença!

Construir aqueles carros alegóricos, enfrentar a chuva e colocar mais de 3 mil pessoas no mesmo ritmo, na mesma passada, sorrisos e muita emoção nos rostos que cantam a mesma letra, com a diferença de chegada do som aos ouvidos de todos em muitos minutos de distância da bateria, pode-se considerar uma obra de arte a bateria acompanhar o canto e conduzir o ritmo do desfile.

E quando a bateria recua, para o espaço deixado pela saída dos membros dela da passarela, dezenas de ritmistas fazem uma longa curva, enquanto outros fazem metade deste caminho e, ainda, um terceiro grupo fica marcando o ritmo nos pés e se mexem muito menos. Um espetáculo ver esta movimentação de cima, avaliada como evolução.

Desfile da Mancha Verde, a campeã do carnaval de São Paulo em 2019. FOTO: Werther Santana/Estadão

Que analogia quero fazer entre o carnaval, nossas escolas de samba e a gestão de franquias, você deve estar se perguntando.

Nesta estrutura existe o presidente da escola de samba (franqueador), o mestre de bateria e vários diretores ou supervisores que se espalham, entre todos os ritmistas, para garantir que vejam os sinais de comando dos breques, passistas de várias alas e cada ala, uma função.

Cada grupo de pessoas e fantasias tem objetivos, metas, desafios, tempo cronometrado e os condutores de alas que gritam o ritmo, unem os passistas para cobrir um “buraco” visual entre eles, cabendo a todos transmitir emoção, felicidade, beleza, integração, criatividade e inovação.

“Isso tudo requer escolha dos melhores empreendedores (passistas, músicos e ritmistas), uniformes impecáveis (fantasias)”

As franqueadoras, com seus franqueados, fazem exatamente o mesmo. Ou deveriam fazer. Representam uma marca, precisam desenvolver sempre a capacidade de realização, importante a gestão de conflitos e egos, gerenciando o tempo de entrega aos clientes (público das arquibancadas, dos camarotes e dos canais de TV) dos melhores produtos e serviços, pois têm compromisso com os resultados.

Isso tudo é um grande trabalho em equipe, que requer comunicação clara, objetiva do papel e importância de cada um, muito planejamento, escolha dos melhores empreendedores (passistas, músicos e ritmistas), poucos serão os de maior destaque entre os franqueados (mestre sala e porta bandeira), treinamentos (ensaios), reciclagens, uniformes impecáveis e tratados com muito respeito e orgulho de vesti-los (fantasias).

São tantas as analogias que eu poderia escrever um livro a respeito, mas, assim como nos desfiles, o tempo e o espaço são curtos em um blog. Sugiro que cada franqueadora pense no assunto e proponha um desfile impecável em 2019, fazendo a diferença na percepção de seus consumidores finais, que passarão a se sentir surpreendidos pelos franqueados na ponta.

* Ana Vecchi é professora universitária e pedagoga, com especializações em administração de marketing e planejamento estratégico de marketing, além de MBA em varejo e franquias. É co-autora do livro A Nova Era do Franchising (ed. Infinito, 2000).

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