As aparências importam (inclusive nas prateleiras dos supermercados)

Daniel Fernandes

08 de julho de 2014 | 06h30

Bruno e Juliano escrevem toda terça-feira
No ramo de produtos alimentícios, no qual trabalhamos, o visual dos produtos tem um papel essencial no sucesso de um empreendimento. Menosprezar a importância de um bom design de embalagem, da escolha das cores e fontes de texto no rótulo, da disposição correta e bem pensada das informações sobre o produto, é jogar fora a oportunidade de realmente se destacar nas prateleiras dos pontos de venda, onde a cada dia o consumidor é seduzido por mais e mais opções de compra. Sem uma boa apresentação, o melhor chocolate, a melhor cerveja, o melhor queijo do mundo podem acabar passando do prazo de validade nas prateleiras, ignorado pelo passo apertado dos clientes.
Quando busca um produto novo para experimentar, um consumidor costuma trazer referências de campanhas de publicidade, leituras em publicações de gastronomia ou indicações de amigos. Mas quando ele não tem essas informações, apostamos que uma embalagem bem produzida vai embalar a escolha por um produto. Pense na última vez em que foi comprar algo como um vidro de pepinos ou um vinho no supermercado, e não encontrou nenhuma marca de referência? Você escolheu o rótulo mais mal feito?
Uma embalagem bem feita traduz o cuidado que a empresa provavelmente teve no desenvolvimento do produto que está vendendo. Ela afirma: aqui tem qualidade. Se isso não for verdade, por outro lado, e a embalagem bonita é uma grande enganação, aquele cliente não vai voltar a comprar o produto.
Forma e conteúdo
Mas não basta ser bonita, é preciso ter conteúdo. Muitas vezes, uma estratégia, principalmente para produtos ainda desconhecidos, é “explicar” o que ele é na embalagem. Passamos por uma experiência muito interessante agora, após comprarmos a empresa Laticínios Pomerode. Tivemos um longo processo de reformulação da identidade visual do principal produto da empresa, as bisnagas de Kraeuterkaese (um queijo fundido com ervas finas cuja receita, de origem suíça, foi trazida para Pomerode pelo mestre queijeiro Guilherme Ziehlsdorff na década de 1940).
Apostamos em um visual mais clean para as embalagens, que eram as mesmas desde a fundação da empresa, em 2002. Num primeiro momento, não percebemos que a longa palavra germânica poderia ser um obstáculo para conquistar novos clientes pelo país – afinal, até mesmo alguns descendentes alemães aqui da nossa região podem tropeçar na língua na hora de pronunciá-la. Pelo contrário, achávamos que era uma marca mais importante que a própria Laticínios Pomerode.
Através de estudos e pesquisas de mercado, percebemos que a palavra “Pomerode” é vista como um sinônimo de qualidade e tradição por gente de todo o Brasil, e passamos a destacar a marca nas embalagens. E, principalmente, fomos atrás de uma “tradução” da palavra Kraeuterkaese (que literalmente significa “queijo com ervas”). Depois de muitas consultas à legislação e ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimentos, conseguimos encontrar a expressão ideal: Creme de Parmesão. Isso explica para o consumidor exatamente o que o produto é, afinal, o queijo parmesão é o principal elemento da receita do Kraeuterkaese.
Veja o passo a passo da evolução das nossas embalagens. A versão final começou a ser comercializada em março, e aos poucos estamos mudando a cara das bisnagas de outros sabores, como a de tomate seco e a versão light.



Mantivemos as cores tradicionais e não abandonamos a palavra Kraeuterkaese, só diminuímos um pouco seu peso na embalagem. Assim, acreditamos que vamos continuar agradando quem já conhece o produto e, ao mesmo tempo, aumentamos nossas chances de conquistar novos consumidores.

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