Artesanal! Falei algum palavrão?

Daniel Fernandes

12 de fevereiro de 2014 | 05h48





LEO SPIGARIOL ESCREVE TODA QUARTA-FEIRA
Será que a palavra artesanal ainda soa como um palavrão? Acho que, para muitos mercados, ainda sim. Talvez pelo fato de, em nosso país, este termo, inconscientemente, estar tão ligado ao improviso, ao mambembe, ou mesmo àquele sujeito que largou tudo e foi fazer esculturas de argila para vender na Praça da República.
Engano. Cada vez mais o mercado de produtos artesanais cresce, pois nós, consumidores cansados de sermos iguais uns aos outros, manifestamos essa necessidade de consumo ‘exclusivo’. A safra numerada, o microlote, a série limitada, o hecho a mano. É como poder ter algo com aura e autenticidade, conceitos descritos, no mundo das artes, por Walter Benjamin. Ele defendia que uma obra de arte original é única – imagine, de uma forma acessível, como numa prateleira de supermercado, levar uma pintura original de Van Gogh para sua casa.
O feito à mão é capaz disso. Em países como a França, por exemplo, o produto artesanal seguramente é tão importante, ou até mais, do que os produtos fabricados em série, multiplicados, irmanamente idênticos e sem alma.
E o mais interessante é que lá o varejo está preparado para isso, aberto e valorizado, diferentemente de nós que, em sua maioria, precisa dançar a valsa do varejo: verbas de introdução, bonificações, verba de parceria e outras regras que você precisa estar preparado para encarar. Bom mas esse tema vale um outro post e talvez alguns novos inimigos. 🙂
O exemplo dessa expansão e tendência é o mercado de queijos que em 2013 iniciou sua maturação.
Na semana passada, eu estava assistindo a um programa em canal fechado que, basicamente, falava sobre o funcionamento de cérebro humano e como nós raciocinamos. Aliás,é bem interessante para entendermos algumas atitudes inconsciente das pessoas. Em um certo momento, eles mostraram um teste realizado com um comediante no papel de apresentador de TV em um shopping center, acompanhado de seu câmera e vestido de terno e gravata – ele perguntava para as pessoas algo completamente absurdo. A maioria acreditava se tratar de algo sério.
Em outro momento, ele já vestido de camiseta e calça jeans, fazia a mesma pergunta e a reação das pessoas era completamente diferente. A maioria achou que ele era louco ou o que dizia não tinha crédito.
E o que concluímos disso?
A lógica que impera é a de que o produto artesanal sempre precisa estar vestido de camiseta e jeans. Desde o princípio no DE CABRÓN, sempre buscamos, no processo de fabricação, embutir em nossos produtos a sensação de aura e autenticidade presente no produto artesanal, mas com posicionamento e percepção clara de algo industrial.
Hoje nosso maior stress seguramente é conseguir manter isso. Estamos deixando pouco a pouco de ser artesanal em muitos de nossos processos de produção e naturalmente a necessidade de redução de custos bate em nossa porta todas as manhãs. E o grande segredo para enfrentar isso é: desenvolver parcerias.
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