Artesã acha que poderia ter sido mais profissional e planeja lançar peças baseadas no caso

Daniel Fernandes

23 de novembro de 2015 | 06h51

Diálogo sobre encomenda das lembrancinhas alcançou grande repercussão na semana passada a partir de post publicado no Estadão PME
A mensagem chegou para mim na quinta-feira, dia 19 de novembro. ‘Marcelo, meu nome é Erica Brito, uma pessoa me falou da matéria no Blog do Empreendedor (caso você não tenha lido, entenda o caso aqui). O fato aconteceu comigo não com a moça chamada Tatiana. Creio que ela apenas compartilhou ou repostou, pois a minha postagem original foi em um grupo de feltro que participo e foi excluída pois alguém denunciou. Mas várias pessoas salvaram as imagens e repostaram. Qualquer dúvida estou à disposição’.
Meu primeiro pensamento foi: ‘Graças a Deus, e a meu professor Euclides Torres, eu iniciei o texto deixando claro que não tinha evidências que o fato tinha acontecido com a Tatiana’. Euclides foi meu professor de reportagem na UFSM e me ensinou que sempre que você não tiver a certeza sobre a autoria de algo, deixe isso claro (conselho que continuo seguindo, principalmente nesse espaço).
Eu estava ainda digerindo a repercussão da história, com meu recorde de audiência com mais de 100 mil curtidas. O texto foi publicado no Facebook do Estadão e foi o tema mais comentado do dia. Durante a semana, várias pessoas me procuraram para falar do caso. Uma empresa me convidou para conversar com a equipe deles sobre inteligência emocional no atendimento ao cliente.  E agora a Tatiana era na verdade Erica. Precisava saber mais sobre isso. Liguei para ela e ela aceitou conversar.
Erica Sobreira Brito tem 23 anos. Nasceu em Canto do Buruti, Piauí, mas vive em Teresina. Chegou a iniciar o curso de Ciências da Natureza na UFPI, mas não se identificou com o curso. O artesanato sempre fez parte da vida, desde a infância até se tornar um hobby sério. Mas foi em 2013 que virou a atividade principal.  A jovem empreendedora piauiense já tinha vivido situações inusitadas no relacionamento com o cliente, mas nenhuma como essa.

“Não imaginei que teria essa repercussão toda, só fiz a postagem em um único grupo e ela foi excluída cerca de uma hora depois, mas muitas pessoas salvaram as fotos, postaram e muita gente compartilhou. Muitas artesãs se identificaram com a situação. Na área do artesanato, é comum a desvalorização, infelizmente. Muita gente discordou também da minha postura, creio que eu realmente poderia ter sido mais profissional e apenas recusado, mas erros acontecem, eu não estava num bom dia, não que isso justifique, mas eu acredito que nem sempre o cliente tem razão. Às vezes, perdemos a paciência diante de situações como essa, somos humanos, portanto, passíveis de erros. Gostei bastante do conteúdo do post e das dicas também, que serão muito úteis no futuro, quando me encontrar nessas situações” contou Erica.
Perguntei sobre os comentários (foram milhares), ela disse que leu alguns no blog e que achou interessante que “cada um vê o fato de um ângulo diferente, é sempre bom ver diferentes opiniões sobre um assunto. Aprendi que temos que manter o controle em situações assim, não é no grito que vou conseguir que meu trabalho seja valorizado”.

Na semana que passou, a artesã aproveitou a visibilidade e repercussão para dar mais alguns passos na qualificação do seu negócio. Se formalizou, agora é Empreendedora Individual, com CNPJ e todos os benefícios dessa situação. O Atelier ganhou um novo nome e página no Faceboook. “Talvez isso tenha um retorno positivo para mim, mais pessoas ficaram curiosas para conhecer meu trabalho. Estou criando três peças baseadas nessa situação” conta ela, que mandou uma foto já com uma boneca que pensa em criar inspirada no caso.
Menta90 (Marcelo Pimenta) é jornalista, professor de inovação da pós-graduação da ESPM e fundador do Laboratorium. Para saber mais, curta aqui.

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