Ao novo, vida nova

Daniel Fernandes

07 de janeiro de 2016 | 05h42


Muito bacana o último texto da Bel Pesce neste blog, que levantou um ponto muito importante para qualquer empresa: o risco de ligar o piloto automático e acomodar-se. Ainda mais no começo de ano.
Fiquei refletindo sobre o assunto no contexto em que eu vivo o dia a dia, que é numa empresa de pequeno porte. Minha primeira conclusão é que o risco também existe, tal qual descrito pela Bel.
E a questão toda, afinal, é o que fazemos (ou o que deveríamos fazer) para combater esta situação – que é quase um estado emocional. Abaixo algumas das reflexões, do ponto de vista de uma pequena empresa:
SONHO GRANDE

A primeira regra, acho eu – e que aplicamos diariamente em cada pequena decisão tomada no Pastifício PRIMO – é avaliar se estamos no caminho de nossos grandes objetivos. O método consiste em estar constantemente comparando nosso “hoje” com onde queremos chegar, o “amanhã”. Isso nos ajuda pra caramba a nos manter focados e tomar melhores decisões. E por isso é tão importante um planejamento de longo prazo – também chamado de SONHO GRANDE pelo Lemann.
SEMPRE ALERTA
Sempre do ponto de vista de como evitar cair no marasmo quando tudo vai indo bem, eu considero fundamental um estado “sempre alerta”, como os escoteiros. Explico: é normal que tenhamos momentos de muita luta e picos de adrenalina. Na implementação de um novo software, por exemplo. Ou ao ganhar um grande cliente novo que traz novas necessidades e adaptação. Ou na chegada de uma máquina que precisa de ajuste e treinamento. Também é normal que depois de superada a dificuldade inicial, tudo se encaixa e começa uma calmaria. É aqui onde justamente mora o perigo: achar que está tudo dominado. Para combater essa sensação de falsa segurança, sempre brincamos entre nós, dizendo que algum bicho papão está nos esperando pra nos pegar de surpresa!
ESTABILIZAR NO MAIS OU MENOS
Outra arapuca de deixar a coisa toda rolar solta é a tentação de se conformar no meio do caminho, desistir de alcançar o sonho grande e estabilizar no ‘mais ou menos’. Pode acontecer por motivos vários: conjuntura econômica, sócios que não se entendem, perda do “tesão” e tantos outros. Este me parece o maior risco das pequenas empresas, onde a energia do dono, do empreendedor, é o principal motor de vitalidade. Sem essa motivação, até mesmo o negócio mais original e inovador vai estagnar.
ACREDITAR DEMAIS NOS ELOGIOS
Sempre é bom receber elogios e manifestações de satisfação de clientes, da mídia, dos amigos. Mas sempre com muita cautela. Conheço empresas que ignoram as críticas e se focam apenas nos feed-backs positivos, e aí está o primeiro passo para cair na arrogância. Na minha empresa, levo as críticas (internas e externas) muito a sério – mesmo quando parecem exageradas (uso a expressão “onde tem fumaça, tem fogo”). Os elogios nos estimulam, mas também podem nos acomodar. As críticas nos incomodam, mas nos fazem tomar providências. Isso, claro, quando são ouvidos com humildade.
Tem um ditado latino que diz que dormir nos louros faz com que eles murchem.
Em resumo, acredito que toda empresa tem (ou deveria ter) um Sonho Grande. Encontre o seu e grave em fogo na alma de cada colaborador. Nunca devemos acreditar demais na sorte ou no azar, ambos são enganosos. Devemos procurar estar sempre alertas para reagir de forma eficiente aos dois lados. Problemas sempre irão existir, não é azar. Trabalhar duro e estar aberto para as boas oportunidades é chamado de sorte.
A todos, compartilho meu mantra diário de Força, Foco e Fé em 2016
Ivan Primo Bornes –  fundador do Pastificio Primo e um eterno aprendiz

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