Alexandre, o Médio

Daniel Fernandes

25 de setembro de 2015 | 07h23

Você já deve ter ouvido falar de Alexandre, o Grande: Uma espécie de ícone da Geração Y da Antiguidade, pois conquistou o mundo antes dos 30 anos. Mas tenho certeza que também conhece Alexandre, o Médio.
Alexandre, O Grande, não foi só um jovem rei da Macedônia, foi o senhor do Ocidente e do Oriente e o sujeito mais rico de toda a história da Humanidade, com uma fortuna estimada em mais de um trilhão de dólares em valores do hoje. Mesmo nesta condição, afirmava que não era o poder ou suas posses que o tornavam grande, mas seu conhecimento sobre o que é excelência. Prova disso foi a escolha de um carinha chamado Aristóteles como seu mentor.
Celebridades sempre influenciaram pais na escolha de nomes para seus filhos. E em 330 a.C., quando Alexandre, o Grande atingiu seu auge, não era diferente. Neste ano nasceu Alexandre, filho de um casal de comerciantes médios de Persépolis, uma cidade que se localizava no atual Irã. Alexandre era o filho do meio e  veio ao mundo nem muito gordo, nem muito magro, nem alto nem baixo. Na infância não se destacava nas brincadeiras com os amigos e tão pouco se esforçava em ser o melhor aluno da classe, mas também não era o pior. Quando jovem, entrou para o exército e contentou-se em ficar na infantaria pois era o grupo mais numeroso. Assim, suas chances de ser chamado para liderar as tropas não seriam tão grandes. Nos combates, preferia ficar nas fileiras do meio, assim entraria em campo quando a batalha já tivesse uma indicação de resultado. Seus colegas passaram a chamá-lo de Alexandre, o Médio. Nunca se soube qual foi o destino final de Alexandre, o Médio, pois ele desapareceu em meio a tantas guerras depois que o Império Alexandrino foi desmantelado. Dizem que nunca chegou a morrer porque não queria subir aos Céus e tampouco descer para o Inferno, preferindo ficar vagando na Terra, influenciando pessoas e organizações.

Se você não acredita em fantasmas, volte no passado e reflita quantos colegas da sua classe eram médios, não eram os melhores e tão pouco, os piores? Nas empresas em que trabalhou, quantos eram médios? Pense em quantas empresas que lhe venderam produtos e serviços médios, nem tão bons e nem tão ruins? Agora responda a estas mesmas perguntas trocando “quantos” por “quem”.  É bem provável que você tenha dificuldades para se lembrar do nome daquele colega de classe ou de trabalho mediano ou do nome daquele restaurante ou hotel em que você foi e que a experiência foi bem média. No final do dia, o médio se torna invisível porque não se destaca.
Para evitar que o mundo se torne cada vez mais médio, conheça, valorize, compre e divulgue o trabalho de vários novos empreendedores que buscam te oferecer uma grande experiência inovadora de consumo e que ao mesmo tempo estão comprometidos com um mundo melhor. Muitos empreendedores do passado até tinham estes mesmos grandes objetivos, mas suas empresas foram se tornando médias à medida que cresciam.
Na verdade, Alexandre, o Médio, nunca existiu de verdade, mas mesmo assim, ele está em nós quando fazemos coisas médias, trabalhamos em organizações médias e compramos de empresas médias. Nestas situações, não somos apenas invisíveis, somos medíocres.
Marcelo Nakagawa é professor do Insper e diretor de empreendedorismo da FIAP

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