Ainda sobre o Raio Gourmetizador: 'Tem coisa que não adianta inventar'

Daniel Fernandes

26 de dezembro de 2014 | 15h45

Danielle Trolezi, especial para o Estadão PME
Como que quase um vírus, os produtos ditos “gourmet” invadiram a cidade e se tornaram uma febre entre os glutões de plantão.
Mas afinal, o que é mesmo gourmet? A origem do termo é francesa, e basicamente, está associado à gastronomia de alta qualidade, no qual produtos são elaborados a partir de ingredientes selecionados, não tão comuns, e mais sofisticados, e portanto, mais caros também.
Mas o produto gourmet não se limita somente à qualidade de seus ingredientes, sabor e aroma, mas também à forma de apresentação, a alguma técnica diferente de produção, originalidade da receita e até design da embalagem.O motivo da piada é que tudo atualmente virou gourmet, elevando ao cubo o preço de produtos simples como hot dog e até pipoca, motivo pelo qual o termo está se tornando banal, e a prova disso é o famoso raio gourmetizador, um meme personificado pelo famoso chef Gordon Ramsey, que transforma um simples sagu em caviar de tapioca.
Ou seja, os ingredientes, a receita e a técnica de produção é a mesma, e somente o nome – junto com o preço – mudaram. Pelo amor, né?!
Eu sou assumidamente uma fanática por hot dogs. Mas sinceramente, o famoso lanche vendido por uma senhorinha e seu marido, na porta da faculdade onde eu estudava, “comia no café-da-manhã” qualquer hot dog dito gourmet por aí. Tem coisa que não adianta inventar! As pessoas, com o tempo, irão perceber que estarão sendo enganadas.
Não irei aqui ficar discutindo sobre o que deve ou não ser gourmet, afinal, há consumidores para todos os bolsos e gostos. Na medida do possível, quando o cliente demonstra alguma curiosidade ou interesse – às vezes, até um certo espanto – tento sempre explicar o motivo dos preços daquilo que coloco à venda, contando sobre os ingredientes que foram utilizados em determinada receita, os cursos que fiz e o que aprendi, o tempo e dinheiro que dediquei pra que determinado produto chegasse a um sabor, textura e apresentação que fosse adequado para sua comercialização.
Sei que a tarefa não é fácil.
O consumidor, às vezes, por não estar familiarizado com determinado produto ou ingrediente, acaba ficando com vergonha de perguntar, como se ele tivesse obrigação de saber. E por não conhecer, pode ter a impressão errada, e achar o produto esnobe e seu preço, fora da realidade.
Penso que cabe à nós, empresas sérias, explicar melhor sobre os produtos, bem como sobre os ingredientes utilizados, receitas e técnicas de produção, justificando os preços que praticam. Acho transparente e honesto. E caberá ao consumidor pensar sobre o valor que determinado produto agrega à vida dele, decidindo ou não pela compra.Acabei de ler esta matéria no site do Estadão sobre o assunto em questão, e fica uma dica legal, tanto para empreendedores, quanto para consumidores:“Mas havia na origem do negócio algo mais do que o termo gourmet. Era uma releitura do doce, produzido com ingredientes de qualidade e com receitas diferentes e originais. Essa será a diferença entre os negócios – gourmet ou não – que devem sobreviver à onda do Raio Gourmetizador.”
Danielle Trolezi, Em 2013, criou a marca bake me, confeitaria de cupcakes, doces e bolos caseiros. Em junho de 2014 decidiu que era hora de ser dona da própria felicidade, e agora se dedica em período integral à sua confeitaria, que tem um conceito de oferecer produtos fresquinhos, procurando sempre estabelecer uma relação de amizade com os seus clientes.

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