Adapte-se ou morra. Taxistas, os ludistas do Século XXI

Daniel Fernandes

13 de abril de 2015 | 07h13

@menta90 é jornalista, professor e palestrante e escreve às segundas no Blog do Empreendedor
Há cerca de 2.500 anos, o filósofo Heráclito cunhou uma afirmação que é um marco na história da filosofia: “ninguém pode tomar banho duas vezes nas águas do mesmo rio” – pois o rio já não é o mesmo (já são outras águas que estão a passar por ali) e também a pessoa não é a mesma (pois já se transformou, pelo menos um pouco, desde a última vez – seja o jeito de pensar, seja o tamanho do cabelo ou das unhas, seja o peso …). Foi esse pensador grego que considerou pela primeira vez a característica DA NATUREZA  a constante mudança, que tudo flui e nada dura infinitamente.
A mudança é a única certeza. Essa sabedoria está em inúmeras frases famosas, como o do ex-presidente John F. Kennedy: “A mudança é a lei da vida. Aqueles que olham apenas para o passado ou para o presente serão esquecidos no futuro.” E também na sabedoria popular. Cresci ouvindo, no Rio Grande do Sul, que “jacaré parado vira bolsa” – ou seja, se o bicho não muda e se movimenta, acaba sendo abatido e morto.
O assunto me veio à cabeça ao ver as notícias sobre a manifestação dos taxistas em todo o país contra o aplicativo Uber. Foram 3 mil em São Paulo, conforme o Estadão – e outros milhares em outras capitais.  O protesto é contra a “ilegalidade” dos usuários do aplicativo e reclama a falta de obtenção de “alvará” pelos motoristas, além de outras questões. Por mais que existam aspectos que talvez precisem ser ajustadas/modernizados, parece-me que os taxistas não compreendem que o mundo está em constante mudança (e Heráclito já nos ensinou isso faz tempo).  Fiquei pensando que está sendo criada a versão Século XXI dos ludistas, que na Inglaterra de 1811, liderados por Ned Ludd, invadiram fábricas para quebrar as máquinas que “acabavam os empregos”.
A ociosidade dos carros nas garagens, o número de pessoas que hoje usam o carro para uso exclusivo (quando o veículo poderia estar completo de cidadãos que vão para a mesma região), o estrangulamento das vias são questões que encontram respostas na economia colaborativa – padrão de modelo de negócio em ascensão em todos os segmentos como mostram YouTube, o Mercado Livre,  o AirBNB e muitos outros que apostam no compartilhamento para fazer negócio.
Aos amigos taxistas (e outros empreendedores que estão se sentindo ameaçados pela economia colaborativa) trago uma mensagem de Charles Darwin: “não sobrevive a espécie mais forte, mas a que se adapta à mudança”. Essa mensagem fica explícita na imagem de @fakegrimlock para o livro Lean Entrepreneur que escolhi para ilustrar esse post. Veja que o surfista (o usuário do Uber) está no fluxo. Não adianta (o taxista) construir barreiras pois a força da mudança (a onda) é irreversível.

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