Adaptar o papel de franqueados ao novo cenário não significa mudar o perfil

Adaptar o papel de franqueados ao novo cenário não significa mudar o perfil

Comitês ou grupos de franqueados-modelo agregam e reduzem tempo de resposta da rede às mudanças, desde que eles tenham tarimba e cultura de compartilhamento

Ana Vecchi

22 de outubro de 2020 | 12h15

Empreender como franqueado significa aprender como a marca se tornou um sucesso ou está conquistando mercado, adquirir experiência e colaborar com a rede, assim como com a equipe da franqueadora. O maior cenário desafiador já vivido, por todos os empresários, seus times e franqueados, requer adaptações e agilidade nas respostas, visão e resiliência. 

Já entendemos isso, mas toda vez que há uma crise, a corda estoura para o lado mais fraco e este já foi o lado de centenas de franqueados, nas conjunturas anteriores do franchising

Nesta, global por conta do coronavírus, a força de franqueados unidos, responsáveis por seus negócios e seguros de que estão todos no mesmo barco que seus franqueadores, mostrou a força e a importância que têm. Muito mais do que mais um PDV com a marca X, aberto ou fazendo delivery, pagando royalties ou não, reclamando ou elogiando, participando de webinars ou boicotando-as.

O “não” às propostas de alguns dos franqueadores, que assumiram o quanto estavam distantes de suas redes franqueadas, é apenas uma das consequências à falta de suporte e de chamar franqueados para construírem propostas de valor aos clientes e aos seus negócios. 

Passadas estas DR (discussão de relacionamento), vamos à mudança de cultura e de gestão das marcas e redes. Isso não significa mudar o perfil do franqueado ideal que, por sinal, inexiste, tampouco seu papel. A forma de gerir o negócio adaptado à nova realidade de mercado de consumo, aos novos canais assumidos pelas franqueadoras e atual modus operandi é o que deve ser feito. Ouvir como estão as vendas, o comportamento do cliente, o que vem sendo proposto e quais as reações e indicadores por região, análise de curva ABC diária traz respostas à nova forma de gerir os negócios e não os novos papéis. 

Ter franqueados-modelo para a rede reduz o tempo de resposta a mudanças. Foto: Markus Spiske/Unsplash

O papel de um franqueado é empreender, gerir, analisar, adaptar, manter ou mudar procedimentos, contratar e evitar turn over alto, liderar, agregar, sugerir, ser profissional e se desenvolver continuamente, buscando lucro dentro da legalidade. Não é simples ser tudo isso, mas é assim que se empreende.

Unir conhecimento, transformar dados em informações, buscar as melhores soluções e não ignorar que o ótimo é inimigo do bom, significa ajustarem-se à tecnologia e investimentos necessários, treinamento no que cada cluster de franqueados necessita prioritariamente são alguns dos passos que já fazem parte da cultura de gestão sustentável de redes franqueadas. 

Ter franqueados-modelo para a rede de franquias e fazer uso de suas expertises reduz o tempo de resposta da rede às mudanças. Comitês, conselhos ou grupos de franqueados, por área de conhecimento e expertise, agregam por demais, desde que tenham realmente tarimba e cultura de compartilhamento, assertividade e foco são pontos importantes, além dos indicadores mais do que fundamentais. Tudo junto e misturado, transparente e aberto às novas ideias. 

As redes franqueadas são a força das marcas e, ainda que num universo de incertezas, a mudança pode ser de cultura e não de papéis. 

* Ana Vecchi é consultora de empresas, CEO na Ana Vecchi Business Consulting, professora universitária e de MBAs, pós-graduada em marketing e com MBA em varejo e franquias. Atua no franchising há 28 anos em inteligência na criação e na expansão de negócios em rede.

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