ABAIXO OS IMPOSTOS!

Daniel Fernandes

19 de junho de 2013 | 06h48

Pequena empresa sofre com os impostos

Com esta onda de manifestações no País, fiquei com vontade de largar as panelas no fogo e sair pelas ruas de São Paulo atrás da multidão rebelada, reivindicando a redução dos impostos. Sempre quis ter uma empresa para poder contribuir com o desenvolvimento do País, e acho que esse é o sonho de todo empreendedor: produzir algumas células da mudança que se quer ver no mundo.
E entendi cedo, numa visita da escola ao governo, que é com os impostos que pagamos que se obtém os recursos para investir em infra-estrutura e na melhoria das condições de vida da população, na saúde, na educação, no transporte.
Aprendi que imposto era sinônimo de desenvolvimento. O tempo passou, virei sócia do governo, e descobri que na prática as coisas não eram bem assim: pagamos regularmente todos impostos (que estão entre os mais altos do mundo) e a médio e longo prazos não vemos esse dinheiro retornar em qualidade de vida para as pessoas.
Quando abri a empresa, em 2009, ficava satisfeita de arcar com as minhas obrigações tributárias mas não me sobravam muitos recursos para outras coisas. Cada vez que uma funcionária precisava de um atendimento de emergência e ficava um dia inteiro na fila do SUS ou levava três meses para marcar uma consulta médica, eu me sentia a pior empregadora do mundo.
Um dos meus objetivos durante os três primeiros anos foi fazer caixa para custear um plano de saúde empresarial. Não é só a saúde pública que desampara. O transporte também deixa muita gente que precisa dele à pé. Para chegar no horário, a maioria das meninas da cozinha sai de casa quatro horas da manhã. Como os aluguéis nas regiões centrais de São Paulo estão cada vez mais caros, o jeito é morar na periferia, há pelo menos 150 km do trabalho, trajeto que requer pelo menos dois ônibus, um trem ou um metrô. Os ônibus são poucos e lotados, assim como as linhas de trem que atravessam a cidade abarrotadas de gente.
Dá para entender perfeitamente porque 0,20 centavos a mais na passagem fere tão fundo a dignidade de quem depende de transporte público.
Voltando aos impostos, acho que sim, eles devem ser cobrados e pagos responsavelmente, mas penso que deve haver um bom senso tanto na arrecadação quanto no uso desses recursos. Tenho visto muitas empresas fecharem porque não conseguem arcar com os altos custos tributários.
E ironicamente são essas pequenas empresas que tem impulsionado a economia do Brasil: elas geram mais da metade dos empregos do país, segundo um estudo recente divulgado pelo Sebrae. E são esses empregos que pagam a conta do plano de saúde, do transporte, da educação e da segurança que o estado tem deixado de prover.

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