A Volkswagen não consegue se livrar da Kombi. Ainda bem!

Daniel Fernandes

06 de abril de 2015 | 16h26

Repercutiu muito e não seria diferente no Brasil. A simples possibilidade de a Kombi voltar a ser fabricada, dessa vez totalmente modificada e com motor elétrico, mobilizou fãs do antigo veículo da Volkswagen (ainda) ávidos por novidades envolvendo o carro que deixou de ser fabricado em 2013 no País.
Mas aqui falamos de empreendedorismo e a Kombi pode muito bem ser interpretada do ponto de vista daqueles que já têm ou pretendem ter um negócio – sem falar naqueles que sonham com o negócio próprio sem ainda reunirem coragem para tirar a ideia do papel.
Arrisco a dizer que a Kombi pode servir de aprendizado para o empresário do ponto de vista do imenso poder afetivo que o veículo ainda desperta no imaginário do consumidor. Foi um veículo muito popular por décadas no País. Sua produção durou 56 anos – era o veículo em fabricação mais antigo do mundo.
E durante cinco décadas, amealhou uma série de histórias pelo País. Quantas crianças não foram para a escola utilizando-se dos serviços do ‘tio da Perua’. Quantos microempresários – pintores, marceneiros e tantos outros – usavam o veículo para carregar suas quinquilharias de um ponto a outro das grandes cidades brasileiras. Quantos empreendedores não começaram suas transportadoras  fazendo carreto na Kombi?
O principal aprendizado da Kombi é esse. Ter entrado no imaginário do brasileiro por atender todas as necessidades daqueles que precisavam de um veículo ‘pau para toda obra’. É isso que o empreendedor deve perseguir. Existem milhares (milhões?) de ideias de negócios todos os dias. Existem algumas centenas de boas ideias que sobrevivem ao crivo do ‘sair do papel’. Mas será que existem quantas boas ideias que se transformam em uma Kombi?
É pretensão – talvez idealismo até – achar que empreendedores, por si só, conseguirão algum dia ter um produto como a Kombi. Mas é parte do processo tentar encontrar não apenas uma galinha dos ovos de ouro – ou a tal da vaca leiteira que os cursos de administração ensinam -, é preciso criar uma Kombi.
E aí muitos poucos conseguem.
Daniel Fernandes é editor do Estadão PME

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