A visão de um norte-americano sobre o Brasil: 'Falar em dinheiro muitas vezes parece pecado'

Daniel Fernandes

26 de novembro de 2014 | 12h42

– Hey, my name is Leo and welcome to Santa Cruz do Rio Pardo.
Na semana passada, recebemos em nossa fábrica a visita da equipe da Brazil-Florida Chamber Of Commerce,  com a presença de seu presidente e de alguns ‘deputys officers’ para conhecer nosso projeto De Cabrón. Isso mesmo, aqui no velho oeste paulista.
Mas como isso aconteceu?
Tudo começou com a iniciativa do Viking Network (aquele competente grupo fundado em Bauru, que tem a responsabilidade de fomentar o empreendedorismo como forma de melhorar nossa sociedade e do qual tenho orgulho em ser membro). Em uma de suas missões internacionais para o fomento de novas oportunidades, André Bianchi, co-fundandor da Viking, conseguiu a aproximação com essa organização.
E, de lá pra cá, a sintonia tem sido cada vez maior. Na noite anterior ao nosso encontro, a Associação Comercial de Santa Cruz do Rio Pardo promoveu uma palestra do professor dr. Richard Griffth, da Florida International Business School, na qual contou um pouco de seu trabalho e como poderia nos ajudar, enquanto empresários e possíveis exportadores. Basicamente, Griffth é um apaixonado por conhecer culturas e como cada uma delas influencia a forma de se fazer negócios pelo mundo afora. Ele é, sem dúvida, um grande especialista no assunto.
“Brasileiro tem uma relação com o dinheiro de uma forma diferente da nossa, norte-americanos”, disse Griffth, em um certo momento de sua apresentação. E Jefferson Michaelis, presidente da BFCC, arrematou: “Nos Estados Unidos, começamos uma apresentação da empresa falando sobre os lucros. Por aqui, falar em dinheiro muitas vezes parece pecado”.
Sem dúvida, falar em dinheiro por aqui parece pecado. Em via de regra, se você ganha ou tem sucesso, é porque passou alguém pra trás, sonegou ou explora as pessoas. Conseguir acumular recursos é muito mais complexo do que isso. Tem a ver em saber lidar com a falta. Felizmente, não vivemos nenhuma guerra e nem tivemos que reconstruir nossa sociedade. Felizmente, nosso solo é extremamente fértil. Felizmente, não nos falta água. Ou melhor, não nos faltava. Desde a chegada de Cabral, sempre nos sobraram recursos.
Então a culpa é de quem? Muito provavelmente, é de nossa cultura e de nosso modelo de civilização. Da forma como as coisas por aqui foram construídas e dos princípios que nos orientaram. Nossa democracia é recente. O Brasil, enquanto sociedade capitalista, ainda é um bebezinho, de fraldas, sem dentes e que come papinha pronta. A prevalência do pensamento católico contribuiu muito com isso. Nessa vertente, bens materiais e dinheiro são pecado. Na verdade, dinheiro pode te fazer pecar. Com luxúria? Mas será mesmo? Será que não está na hora de trabalharmos esses conceitos em nossos grupos e desmitificarmos tal paradigma?
Pois, se queremos expandir fronteiras e conquistar nossos horizontes, a hora é essa. Porque, na terra do Tio Sam, money talks, hermano.

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