A tempestade perfeita

Daniel Fernandes

31 de dezembro de 2015 | 11h18


Dos termos usados pelos economistas nos últimos meses, tenho que admitir que a ‘tempestade perfeita’ foi o que mais me impressionou, tanto pela força descritiva da expressão, quanto por se encaixar de forma impecável para definir o drama que está acontecendo com o Brasil.
Misturando lama política nacional com um furacão de indicadores financeiros negativos – de dentro e fora do país – o resultado não é segredo para ninguém: estamos no coração da tempestade.
Economistas, que sempre adoraram utilizar expressões meteorológicas para designar situações financeiras, não demoraram a adotar o jargão para definir um conjunto de fatores negativos que se somam para construir o pior dos cenários.
Consta que o termo foi institucionalizado por um best-seller lançado em 1997 pelo jornalista e escritor Sebastian Junger, relatando a história real de um pequeno pesqueiro em meio à colossal tempestade que atingiu estados da costa leste dos Estados Unidos no Haloween de 1991. O livro The Perfect Storm fez tanto sucesso que, em 2000, virou filme com ninguém menos do que George Clooney. Depois disso, a expressão virou bordão popular, para designar uma convergência de circunstâncias que levam a uma catástrofe.

Os estragos da ‘tempestade perfeita’ que bateu na economia brasileira estão por todos os lados, falar deles é chover no molhado.
O que me interessa mesmo, como empreendedor, como fã do Brasil e como pai de dois brasileirinhos, é o que vem depois. Porque se ‘tempestade perfeita’ é o que os economistas consideram a melhor definição para o que ocorreu com a economia brasileira nos últimos meses, então também vale a máxima de que depois da tempestade sempre vem a bonança – e é nisso que eu prefiro focar.
Não sei se em 2016, em 2017 ou até depois, como dizem alguns pessimistas, mas tenho certeza de que em algum momento a tempestade vai passar.
E como empresário procuro trabalhar pensando nisso – buscar abrigo, racionar recursos e tentar manter a empresa flutuando até o sol voltar a brilhar. Muitas crises já se passaram e possivelmente muitas outras ainda virão, a história mostra que isso faz parte da dinâmica da economia – aqui e em qualquer lugar do mundo.
E diante de tantas dificuldades, se eu não acreditar que os dias de céu azul virão em algum momento, eu perderia a capacidade da esperança. E isso eu me recuso a fazer. Porque empreender é justamente isso, vencer adversidades. E tempestades.
Que 2016 nos traga céu azul e mar cheio de peixes.
Ivan Primo Bornes – fundador do Pastificio Primo, mesmo sendo um otimista, anda sempre com a capa de chuva guardada na mochila.

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