A revolução das ruas ensina o poder da transparência digital

Daniel Fernandes

24 de junho de 2013 | 07h03

Pedro também analisa os protestos

O que a revolução das ruas tem a ver com a minha empresa? O aprendizado sobre o poder da transparência nesta nova era digital! No post do dia 7 de janeiro (Quero tributos mais simples para investir no que faz a diferença!)  falamos justamente das redes sociais e o grande impacto que temos para fazer grandes mudanças através da internet.
O manifesto, a insatisfação, a indignação seja pessoal, profissional ou política estão na via digital. Cada comentário, curtir, e compartilhamento  vão enchendo o copo até aquela pequena gota de R$ 0,20 transbordar a água.  Então temos milhares de pessoas na rua e os líderes políticos não entendendo nada.  Na noite mais violenta de São Paulo, temos no twitter a seguinte frase: “@GeraldoAlckmin Parabéns a toda a população de Guaratinguetá pelos 383 anos da cidade. Boa noite a todos!”. Falta de sintonia e entendimento total com as redes sociais. Vejamos algumas estatísticas:
Quais das seguintes redes sociais você usa?
 

Números do Facebook em 2013: 1.1B+ usuários ativos globalmente….68% em celulares…60% se conectam diariamente….com 200 amigos em média…com 350 milhões de fotos carregadas diariamente.
 
% de respondentes indicando que eles compartilham “tudo” ou quase tudo online.

 
Nesta arte, a fonte é: IPSOS OTX. Pesquisa publicada em Maio de 2013, dados de uma pesquisa de 12mil pessoas em 24 países. Dados    da pergunta: Descreva quanto você compartilha na rede (incluindo status, sentimentos, fotos, vídeos, links, etc)
Este último gráfico demonstra uma transparência nunca vista em um mundo com tantas incertezas.  É impossível se esconder – a verdade pode ser uma foto ou vídeo e principalmente agora onde o meio é o próprio celular que registra e compartilha o momento na hora.  O tráfico de celulares como porcentagem global de tráfico de internet cresce 1,5x por ano e está escalonando (StatCounter Global 5/13).   Estatísticas retiradas da apresentação da KPCB.
Com tanta transparência é preciso evitar o autoritarismo que impede o diálogo e a troca tão importante para os conflitos e dilemas, sejam eles corporativos ou coletivos.  Mesmo num movimento tão lindo como o das ruas, tivemos uma ponta de desrespeito pela liberdade alheia ao queimar a bandeira de partidos políticos no evento.
Não podemos de repente tirar a presidente, pois ela foi eleita por nós e precisamos fazer as mudanças no sistema pelo sistema atual. Por isso o diálogo! O aprendizado da transparência muda muito a percepção das pessoas e conversar, ouvir, respeitar é um caminho sólido para uma mudança estruturada, permanente e sem violência. Praticamos a transparência no nosso dia a dia na ClearSale, pois o nosso motivo de ser é evitar a fraude e assim não podemos ter nenhum tipo de atalho.
Tivemos uma crise com um cliente nosso e com isto paramos toda a empresa para falar do problema em detalhes e que precisaríamos de um esforço extra de todos. Depois de um mês fizemos outro comunicado dizendo que tínhamos perdido aquele cliente. Nesta mensagem direta do que realmente é, do que acontece, dos erros cometidos cria-se uma grande oportunidade para vivência da confiança, tão importante nesta rapidez da rede social na “rádio do elevador”.
O que tiramos para o mundo corporativo então? Finalizo por aqui e deixo abaixo o texto da Dra. Cecilia Warschauer que tanto nos ajuda dentro da empresa para construir um ambiente onde a transparência  é nossa condição sine qua non de sobrevivência. Ela idealizou o método (Roda & Registro) que sustenta esse ambiente de formação humana dentro da empresa chamado UAH: Temos, todos, o desejo e a necessidade de FALAR, mas que depende de uma ESCUTA, difícil, daquilo que não se quer ouvir, seja no âmbito doméstico, entre marido e mulher, seja no ambiente de trabalho, permeado pela pressão por resultados e relações de poder, quanto na sociedade mais ampla, como vemos ocorrendo na cidade de São Paulo e em outras capitais.
Não ter espaço para falar – e ser ouvido- é algo que não pode durar para sempre, pois uma hora explode, se não em violência, em greve branca, quando continuamos o trabalho, mas sem a energia que este requer para ter algum resultado. É o que vemos nesses vários âmbitos da vida humana.
Na Clearsale, com todas as dificuldades que um ambiente corporativo apresenta (como a necessidade de fortes resultados em curto prazo, relações hierárquicas envolvidas, falta de tempo e até de salas) lutamos por construir e manter espaços e a abertura para as conversas. Que muitas vezes são incômodas, pois se referem a críticas inesperadas, porque fruto de outros pontos de vista diferentes, sentimentos e emoções diferentes nos nossos. É uma busca diária para aprender a ouvir as vozes dissonantes.
É a construção de uma CULTURA do diálogo. Que desafio!
Foi de grande emoção acompanhar a passeata pacífica na Av.Paulista na última terça-feira. Diria, um T! acompanhar um mar de gente em busca de um Brasil melhor, com diferentes enfoques, grupos carregando faixas por diferentes causas, com vozes dissonantes no meio, mas unidos para reivindicar em, e pela, PAZ. Emoção em ver o poder de organização de uma multidão que se observa e, em silêncio, constrói uma onda: as pessoas vão se sentando, indicando pelo exemplo, umas às outras, para também se sentarem e, depois, se levantarem coordenadamente, formando uma onda humana.
Lutar pelo diálogo pode parecer (e ser) algo agressivo, mas é o resultado quando não se tem espaço para falar e ser ouvido no dia-a-dia. Saber falar é um aprendizado diário. Assim como o saber ouvir!
Reinventar o Brasil, os ambientes de trabalho e da vida doméstica com uma cultura do diálogo, permeada sempre por contradições e conflitos, pode ser um sonho. Mas, acredito, um sonho possível se mantivermos a marcha. Por isso tentamos ter, como rotina, as Rodas para olhar-se de dentro e de fora, pelos olhos dos outros. Pode ser duro às vezes! Mas é belo, e precioso, sempre!
Obrigado Cecília pela contribuição ao nosso blog! Viva a transparência e use o diálogo para construir algo muito forte para você e para a sua empresa nesta nova era da via digital!  Rumo à república digital, dos poderes executivo, judiciário e legislativo independentes e a via digital do termômetro do povo para tudo aquilo que seja fora de seu interesse.

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