A política míope nos levou ao programa TV LED para todos

Daniel Fernandes

24 de setembro de 2015 | 07h48


Sou míope. Só pode ser. Digo isso porque, na política, a coisa vai muito além de simplesmente tentarmos enxergar a verdade. A proposta do governo era relativamente simples: criar uma série de ações para aumentar o consumo. E consequentemente gerar mais emprego. Em tese faz sentido. TV de LED para todos! Por um curto período conseguímos criar essa demanda e ajudar a fazer essa roda girar mais rápido.
Só que por mais míope – em política econômica – que eu seja, é pra lá de nítido o fracasso. Temos novos estádios, pontes e aeroportos reformados, mas a educação – que é a base da sociedade – está em ruínas. Quer um exemplo simples? Na semana passada, precisei fazer uma viagem ao Rio de Janeiro e, como aqui no Velho Oeste não há aeroporto, optei por sair de Cumbica, um dos maiores hubs do mundo.
Como o vôo era no primeiro horário, deixei para tomar meu café da manhã na sala de embarque. É aí que chegamos no ponto que gostaria de compartilhar com vocês. Na fila, atrás de mim, havia duas holandesas que também tiveram a mesma ideia que a minha (sobre o café da manhã). O mais curioso, ou melhor, o mais triste era que a atendente sequer sabia falar um ingrediente em inglês a respeito do que as gringas queriam comer. Cômico e trágico.
Eu, enquanto empresário e brasileiro, me senti envergonhado, afinal, estávamos no aeroporto internacional da maior cidade do Brasil. E juro que não culpo a administração dessa rede de cafés. A cada currículo que recebemos em nossa fábrica, aumenta minha certeza que nosso processo de degradação é irreversível. Porque temos uma profusão de fatores que contribuem para isso acontecer.
Nossos líderes não são pensadores. Nossa sociedade está baseada no consumo. É até antagônico assumir isso, afinal, tenho uma fábrica. Mas o consumo não pode ser a única fonte de felicidade e objetivo de vida das pessoas. Infelizmente, com a retração brusca na economia, a base da pirâmide é quem mais tende a sofrer. Afinal a capacidade de se reinventar profissionalmente dessa fatia da população é bem restrita. Ou melhor, de um alcance míope.
Leo Spigariol é um dos fundadores da De Cabrón

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