A polêmica do tablet como cardápio (Nem sempre uma inovação é necessária)

Daniel Fernandes

11 de novembro de 2014 | 06h17

Bruno e Juliano Mendes escrevem toda terça-feira no Blog do Empreendedor
Hoje gostaríamos de aproveitar nosso espaço aqui no Blog do Empreendedor para lembrar uma experiência de inovação que realizamos no final de 2010, quando abrimos em Blumenau um restaurante de comida japonesa, o Sushi Yuzu. Ao contrário do The Basement, único pub inglês da região, estávamos entrando em um mercado saturado de concorrentes locais e queríamos nos diferenciar de alguma forma para além da qualidade dos pratos, do serviço e do ambiente da casa.
Na época, o iPad ainda estava sendo lançado no Brasil, e fomos pioneiros no Brasil no uso dos tablets como cardápio na casa. Começamos com dois e, quando vendemos o estabelecimento, tínhamos dez iPads circulando pelas mesas do Yuzu. A inovação causou bastante burburinho na cidade e emplacamos em publicações como a revista Info e sites especializados em produtos Apple – e também, eventualmente, em algum artigo de gastronomia. A novidade atraiu muita gente mas, por outro lado, aos poucos fomos vendo que o cardápio acabava afastando algumas pessoas que se sentiam desconfortáveis ao não conseguir utilizar o aparelho.
Muitas vezes, uma inovação não é sempre bem-vinda ou necessária. Quem sabe, hoje, quando pessoas de todas as idades já manuseiam tablets com bastante intimidade, não haveria essa rejeição que notamos. Esse é um dos vários riscos do pioneirismo. Mas, na nossa opinião, sempre vale a pena corrê-los.
Um cardápio digital é uma excelente ferramenta tanto para clientes quanto para o dono de um restaurante. Para quem vende, seu uso ajuda a ajustar os preços dos pratos conforme oscilam as cotações das matérias-primas utilizadas neles, sem necessidade de novas impressões. Também é possível, por exemplo, esconder produtos que estejam eventualmente em falta (evitando explicações envergonhadas do garçom e decepção do cliente) ou realizar promoções, sem ter de ficar grampeando panfletos no cardápio de papel.
Já para quem consome, o cardápio pode se tornar um verdadeiro guia, sugerindo harmonizações de vinhos ou cervejas, trazendo informações sobre a procedência de ingredientes ou auxiliando em buscas na carta de vinhos, etc.
Além disso, o cliente pode vislumbrar imagens dos pratos, o que sempre ajuda a escolher melhor, e também fazer seus pedidos diretamente através do iPad, sem depender o tempo todo do garçom.
No fim das contas, o uso de iPads como cardápio do Yuzu acabou não pegando. E, pelo que vimos, são raros os restaurantes que apostam, hoje em dia, no uso de tablets para isto (vocês conhecem algum?). Talvez pelo preço, talvez porque ninguém mais se surpreende muito com eles – deixaram de ser novidade. Qual a sua opinião?
 

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