A palavra que “bombou” em 2015 foi 'disruptivo'

Daniel Fernandes

10 de dezembro de 2015 | 06h05


O termo não é novo (foi cunhado em 1995 pelo Prof. Clayton Christensen, mas poucas vezes foi tão repetido e fez tanto sentido como neste ano que está terminando.
Embora tenha gente que o utiliza de um jeito pedante, o adjetivo realmente serve bem para apontar uma necessidade elementar no mundo dos negócios dos dias de hoje, e ainda mais na crise que estamos passando: romper, revolucionar, subverter, reinventar.
E, o mais importante para todo empreendedor, fazê-lo a partir de recursos modestos.
Ou seja, uma grande empresa, bem estabelecida e com muitos recursos, dificilmente será disruptiva. São as pequenas empresas que tem o poder de fazer a mágica acontecer. Geralmente começa sem grandes pretensões, simplificando um processo já existente, ou atendendo um público mal atendido pelas corporações líderes, ou descobrindo uma nova forma de atender uma demanda de consumo.
Disruptivo é um adjetivo que deriva do substantivo ‘disrupção’, o que o dicionário traduz como ‘quebra, interrupção do curso normal de um processo”.
Inicialmente atrelada à tecnologia, a palavra se espraiou e hoje está combinada às expressões ‘estratégia’ e ‘inovação’, aplicável a qualquer segmento. Muitas vezes, aliás, é usada de forma equivocada, citada como sinônimo de algo que revoluciona o consumo – sem ligação com a forma como essa revolução foi gerada.
Toda inovação disruptiva é revolucionária, mas nem todo produto, tecnologia ou inovação que revoluciona o mercado é disruptivo, como se vê e ouve por aí.

Entre as características mais bacanas dos produtos/serviços ‘disruptivos’ estão a simplificação e a acessibilidade: eles são mais baratos e acessíveis do que os seus concorrentes. Isso graças, principalmente, a margens de lucro menores e taxa de retorno de médio a longo prazo (se fala em 5 a 10 anos).
‘Comendo pelas beiradas’, a inovação disruptiva tem o potencial de promover uma revolução de consumo e alterar definitivamente as regras do jogo, deixando para trás quem antes dominava o mercado. Começa atendendo um público modesto até dominar o segmento. Isso pode levar tempo, mas é irreversível.  É o anão derrubando o gigante.
Acho que é aí que o conceito me pega tanto: ela reconhece o poder que têm as pequenas empresas “armadas” de uma boa ideia. Em outras palavras, que tamanho não é documento. Ou até pelo contrário: o grande fator de revolução da atualidade está nos pequenos.
Se sentiu inspirado? Ótimo!
Small não é só beautiful, mas powerful.
Ivan Primo Bornes – sempre com as mãos na massa, para fazer o básico, mas de forma diferente.

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