A nova mulher empreendedora

Daniel Fernandes

16 de julho de 2018 | 11h17


No mundo todo, são 274 milhões de mulheres empreendedoras em 74 países, conforme o

de 2016/2017.
É uma grande conquista da globalização e das novas tecnologias a derrubada das barreiras que limitam o comércio entre países. Acima de tudo, a globalização está derrubando as diferenças que limitavam o comércio entre países por cultura, raça ou, como é o caso desta pesquisa, de gênero. Em vista destas informações, muitos governos estão estimulando o empreendedorismo feminino, pois é notório que as mulheres investem – em sua grande maioria – até 90% mais na saúde e educação de seus empregados e de suas comunidades.
Aqui estão alguns dados interessantes do GEM Report:
1. Mais de 20% de mulheres do que homens citam a “oportunidade” como a motivação para iniciar o próprio negócio nas economias emergentes ou pobres. Já em economias mais inovadoras e tecnológicas, as mulheres têm até três vezes mais motivação com foco em oportunidades.
Detalhe: a visão de oportunidade em negócios – Total Entrepreneurial Activity (TEA) – é uma medida considerada muito importante para calcular a capacidade de empreendedorismo de uma comunidade.
2. O relatório indica que as mulheres têm 5% maior capacidade de inovação nos negócios do que os homens, em todos os 74 países.
3. Surpreendente é a notícia de que a atividade empreendedora das mulheres cai consideravelmente com a prosperidade econômica. América Latina e Ásia, com economias emergentes, mostraram a maior igualdade empreendedora entre homens e mulheres. Já nas economias mais tradicionais, como na Europa e nos Estados Unidos, a estabilidade faz que a mulheres tenham até 40% menos presença em novos empreendimentos.
4. Nas economias mais desenvolvidas, mais da metade das mulheres empreendedoras se dedicam a negócios nos setores públicos, de saúde, serviço social e de educação. São setores de grande fator humano e de relacionamento, considerado um dos pontos fortes do modo de empreender feminino.
5. A atividade empreendedora entre as mulheres também cai na medida do aumento do nível de escolaridade. Isso faz pensar que o estudo não seja tão preponderante para empreender. Ou pode estar relacionado com o item anterior. O relatório cita um caso específico no Sudão, onde um campo de refugiados houve o surgimento de novos mini-empreendimentos, majoritariamente de mulheres.
Aqui no Brasil, ao mesmo tempo que estamos congelados pela crise, é justamente neste cenário onde as mulheres se destacam na busca de oportunidades de empreendimento, inovam e prosperam.
É importante citar o trabalho que duas brasileiras vem fazendo, percorrendo o mundo coletando e documentando as diversas formas de empreendimento feminino, com o projeto The Girls on the Road. O projeto de Taciana Mello e Fernanda Moura começou em 2016, e já tive oportunidade de escrever um pouco naquela ocasião. Continua sendo muito válido e importante.
Ivan Primo Bornes (ivan@pastificioprimo.com.br) – empreendedor e fundador da rede de rotisserias Pastificio Primo (www.pastificioprimo.com.br)
 

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