A meritocracia não é papo furado

Daniel Fernandes

20 de maio de 2013 | 07h19

Pedro fala sobre motivações internas

Compartilhar o sucesso é sempre um momento de alegria que contagia. Qual o sucesso que buscamos? Ter um objetivo e atingi-lo é o sucesso da própria satisfação de algo realizado, gerando uma confiança crescente, que nos diz que sempre podemos mais.
O sucesso da empresa é então o conjunto desse esforço coletivo e de cada um, que começa no fazer com prazer no dia a dia, cada vez melhor. Fazer por fazer pode até gerar o ganho financeiro no final, mas matamos a grande oportunidade de viver cada momento da superação interior, de ir além e usufruir o gosto desse sucesso ao longo da caminhada.
Ao fim, se o resultado financeiro não vier, pelo menos fizemos o nosso máximo, tiramos o prazer desse esforço e sentimos que vivemos a vida, ao invés daquele vazio pelo resultado financeiro não obtido.
Lembro-me de quando era atleta e sabia que uma medalha olímpica seria difícil. A superação física diária me trazia uma alegria muito grande da pequena vitória para o sonho maior dos Jogos Olímpicos. Também tinha o prazer da endorfina fluir pelo meu corpo, é claro! Que delícia era terminar um treino quando o início era dolorido e solitário.
Até hoje tenho a lembrança de um treino muito difícil: três tiros (corrida muito forte) de 500 metros. Estava sozinho na pista, era noite e eu estava cansado do dia anterior. Fui-me enganando dizendo para mim mesmo: “agora é o primeiro tiro e vou fazê-lo para somente sentir”. Delícia! Acabei o primeiro! Já vou fazer o segundo”. Pensei no início do próximo tiro: ‘Já passei da metade’ e ia pensando na linha de chegada. Finalmente cheguei no último. “Agora vou arrebentar com aquela raiva interior da dor e da alegria”, pois a linha de chegada estaria ali a poucos metros!
Passei a linha de chegada e deitei muito cansado, mas com um prazer insuperável de ter terminado depois das dificuldades do inicio! O grande mérito de cada dia é olhar para dentro de si e ver o que estamos fazendo conosco mesmo e desse esforço tirar prazer.
A primeira meritocracia é a de dentro, onde eu sinto que estou melhorando e me percebendo mais eficiente. Reside na minha responsabilidade de fazer o caminho com alegria, com atenção para o outro, aprendendo e ensinando o outro e através da troca gerar o benefício coletivo. De pequenos prazeres o mérito profissional vem bem mais fácil e com certeza um dia ele chega.
Então, o primeiro mérito parte da gente e é nosso. A empresa também pode ajudar nesse caminho compartilhando os seus ganhos através da participação nos lucros. Esta semana tivemos na T!erça (encontro semanal de formação humana) a explicação da meritocracia na empresa. Através da participação de todos nesse processo, as pessoas vão entendendo como funciona a empresa e principalmente se sentem donas.
O senso de propriedade é um grande estímulo para um maior comprometimento nas tarefas do dia a dia. A ClearSale é minha! É um grito que me estimula muito a fazer mais, apesar de eu já ser dono. Tirar prazer do que eu faço, sentir o resultado do meu esforço, perceber o meu crescimento, principalmente pessoal, trazem o espírito de propriedade para dentro da gente.
Essa gana com certeza tornará o sucesso para o mérito externo bem mais provável. Por que então não escolhermos este caminho? Adoro a meritocracia pois ela é um reconhecimento desse grande mérito que vem de dentro das pessoas na responsabilidade de escolher o caminho certo, o caminho do fazer com prazer, o caminho de buscar continuamente um aprendizado para si mesmo, não importando a tarefa a ser realizada. Na semana que vem, irei compartilhar como fazemos a Meritocracia dentro da empresa.

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