A incrível história do empreendedor que ganhou US$ 2,3 mil em vez de US$ 2,6 bilhões

Daniel Fernandes

10 de novembro de 2014 | 10h36

O que você faria se tivesse vendido os 10% da sua participação em uma pequena empresa, uma startup, por US$ 2,3 mil. E algumas décadas depois, essa mesma participação valeria algo em torno de US$ 2,6 bilhões. Pois foi exatamente isso que aconteceu com Ron Wayne, um engenheiro que trabalhava na Atari e que um dia tivera uma empresa que que fabricava máquinas de caça-níqueis, negócio legalizado nos Estados Unidos.
Wayne foi recrutado por Steve Jobs para fundar a Apple. Ele serviria como uma espécie de ‘desempatador’ se surgissem disputadas entre Jobs e o outro fundador da companhia, um sujeito chamado Steve Wozniak. A Apple surgiu, inclusive, no apartamento de Wayne em 10 de abril de 1976. Em Mountain View, o acordo de sociedade firmado entre os três estabelecia 45% para Jobs, 45% para Woz e 10% para Wayne.
Enquanto Wozniak assumiria a responsabilidade geral e principal pela condução da engenharia elétrica, Jobs assumiria a responsabilidade geral de engenharia elétrica e marketing e Wayne seria o responsável pela engenharia mecânica e documentação.
Foi então que o biógrafo de Steve Jobs, Walter Isaacson, afirma que Wayne se acovardou. Jobs tinha planos de fazer um empréstimo e gastar mais dinheiro. Wayne lembrou-se do fracasso da sua firma e não queria passar pelo fracasso novamente. Como a Apple não era uma sociedade anônima, as dívidas poderiam ser cobradas dos sócios.
Wayne deixou a Apple pouco tempo depois com US$ 2,3 mil no bolso. Em vez de experimentar o sucesso da companhia nas décadas seguintes, Wayne, segundo a biografia de Jobs, estava morando sozinho em uma pequena casa em Nevada, onde jogava em máquinas caça-níqueis e sobrevivia com a aposentadoria.
Para Isaacson, Wayne disse: “Tomei a melhor decisão para mim naquele momento. Os dois (Jobs e Wozniak) eram verdadeiros redemoinhos, eu conhecia meu estômago e ele não estava preparado para um passeio daqueles.”
Lendo essa curta passagem da biografia de Jobs (sim, a estou lendo apenas agora), uma frase não sai da minha cabeça:
Empreender pode ser apenas uma questão de conhecer, ou não, os limites do seu próprio estômago.
Daniel Fernandes é editor do Estadão PME e escreve no blog de vez em quando (escreve mais, na verdade, quando está lendo livros interessantes).
 

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