A genética do empreendedor

Daniel Fernandes

05 de maio de 2016 | 09h57

Este não é assunto novo, mas volta e meia me atrai, pois é uma pergunta que me faço repetidamente. Nascemos empreendedores ou nos tornamos empreendedores?
Aceitar que se nasce de um jeito ou de outro é um limitador determinista que me recuso a aceitar, mas mesmo assim acompanho com curiosidade o assunto “DNA do empreendedor”.
Em 1993 foi descoberto o chamado “gene do aventureiro” DRD4-7. Estudos dizem que esse gene é presente em 20% da humanidade, e está ligado a altos índices de curiosidade e pró-atividade (não se animem demais, pois também está ligado à loucura, ok?). Então, essas pessoas que carregam o DRD4-7 estão constantemente famintas por aventuras e têm forte tendência a riscos.
Será esse o elo perdido que coloca aventureiros e empreendedores na mesma adrenalina? Sempre em busca de executar complexos planos de crescimento, ocupação de mercado ou desenvolvimento de produtos? A paixão por fazer ou alcançar algo nunca feito antes? Mesmo sendo considerado impossível?
É óbvio agora que Cristóvão Colombo estava certo, mas em 1490 era considerado um maluco suicida! Ou Darwin, que foi escorraçado quando afirmou que o ser humano não nasceu do barro ou de uma costela. Ou, ainda, mais recentemente, dois amigos chamados Sergey e Larry quiseram vender sua pequena empresa para a Yahoo e foram recusados, então decidiram seguir em frente com a… Google! E tantos outros, chamados de loucos ou coisa pior, antes de provarem que estavam certos. Pura aventura e risco!
É claro que, além de uma boa ideia, o aventureiro/empreendedor tem de ter um alto índice de autoconfiança, atitude, resistência e muita tolerância a críticas, ao ridículo e ao fracasso. Também vou dizer que tem que ter paixão implacável, uma (quase) obsessão egoísta e uma disciplina espartana. Mas tudo isso também pode ser aprendido, treinado, ensinado, não acho que deva ser necessariamente genético. Mas os pesquisadores afirmam que o gosto pelo risco permanece um mistério do DRD4-7.
Um estudo da Western Reserve University de 2006 afirma que 48% da “tendência empreendedora” de uma pessoa tem origem genética. A parte que eu mais gostei é que a tal de tendência empreendedora é definida como a capacidade de visualizar e definir um objetivo e trabalhar com tenacidade até o fim, apreendendo tudo o que seja necessário, assumindo riscos.
De fato, para mim a conclusão deste estudo faz todo sentido, e me atrevo a dizer que essa é a essência de um empreendedor do jeito como eu lido com meu dia a dia: foco numa ideia e muito trabalho duro.
Um estudo similar da Harvard Business Review lista as 5 características de um empreendedor nato: associação, questionamento, observação, experimentação e networking. E claro, o empreendedor tem uma alta capacidade não apenas de pensar ideias inovadoras, mas principalmente de executar essas ideias. O que também é bastante óbvio.
Como eu sou um inconformado, e não me considero especialmente inteligente ou prendado geneticamente (a não ser na paixão por riscos, isso sim!), eu batalho humildemente todos os dias para aprender as qualidades que me fazem falta e tento desenvolver melhor as que já tenho.
Tento compensar minhas fragilidades com aprendizado e observação, tentativa e erro. Valorizo meus sócios e uma equipe talentosa. Talvez essa seja um ponto forte meu, afinal de contas, juntar pessoas, mas não muito mais que isso.
Por isso, considero que a questão genética é apenas um assunto divertido. Um empreendedor de verdade nunca, repito, nunca vai permitir que um estudo cientifico digo o que ele pode ou não pode fazer. Não é?
Voltando à minha pergunta no começo, se nascemos empreendedores ou nos tornamos empreendedores, acho que minha conclusão é como Gandhi disse: “Um homem é o produto de seus pensamentos. O que ele pensa ele se torna”.
E no que você está pensando agora?
Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastifício Primo acredita que todos têm a capacidade de sonhar, e alguns aceitam o desafio de fazer o sonho virar realidade.

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