A empresária que apostou no brigadeiro antes dele virar febre

Daniel Fernandes

05 de dezembro de 2012 | 07h53

Juliana Motter mudou de profissão
Na cozinha do sítio da avó, em Franca, interior de São Paulo, Juliana Motter aprendeu as primeiras noções do que viria a ser sua profissão no futuro. Os cuidados de Dona Ignês com o preparo das encomendas ficaram gravados na memória da neta. De toda a produção que ajudava a complementar a renda da família, Juliana gostava mesmo era de ver o preparo dos brigadeiros.
A afinidade com o docinho genuinamente brasileiro ultrapassou a infância. Hoje, ela comanda a Maria Brigadeiro, o primeiro ateliêr do País especializado em versões gourmet da guloseima.
“Voltava do sítio com o leite condensado feito pela minha vó e fazia meus brigadeiros”, relembra a empresária. O resultado das incursões de Juliana à cozinha rendeu a ela o apelido que hoje dá nome à loja, localizada na Zona Oeste de São Paulo.  “Sempre que havia aniversário, dava de presente. Os meus pais eram meio hippies e incentivavam. Ficou como uma marca minha”, conta.
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A ligação emocional que criou com o brigadeiro ao longo dos anos extrapolou quando Juliana, já adulta, decidiu abandonar o jornalismo para empreender. “As coisas aconteceram de forma muito orgânica. Foi como um quebra-cabeça que foi se encaixando”, relembra.Depois de ter cursado gastronomia e fazer cursos de capacitação na área de confeitaria, nasceu a Maria Brigadeiro.
O conceito original da loja, inédito ainda tratando-se de brigadeiro, um doce até então condenado às mesas de festas infantis, agradou. No local, é possível encontrar mais de 40 sabores do doce, além de louças e embalagens criativas, que transformam a guloseima em artigo para presentes.
Com o sucesso do empreendimento vieram também os concorrentes. Hoje, as lojas especializadas em brigadeiros já estão presentes em praticamente todas as capitais do País. No entanto, Juliana – precursora do movimento que abriu os olhos da alta gastronomia para o potencial do docinho -, não perdeu mercado. Em sua loja, aproximadamente 5 mil unidades são produzidas diariamente.
Todas elas passam por um rígido controle de qualidade feito por 40 funcionários para assegurar produtos frescos. “Eu fico muito triste quando vejo a desconstrução do conceito do brigadeiro gourmet. Isso não é um benefício. Fazer brigadeiro faz parte da vida de muitas pessoas. Faz parte da minha vida e eu vou honrar o doce. Vou fazer tudo o que eu puder e vou continuar a inovar”, finaliza.


Quem vai participar:

Segunda-feira: Pedro Chiamulera
Fundador da ClearSale, empresa que combate fraudes na internet.
Terça-feira: Renato Steinberg
Ao lado do sócio, Flávio Pripas, ele criou o Fashion.me, primeira rede social de moda do mundo.
Quarta-feira: Juliana Motter
Ela criou um dos negócios mais originais do País atualmente, a loja Maria Brigadeiro.
Quinta-feira: Adriane Silveira
Ela começou faz pouco tempo a empreender. Mas a Nanny Dog ganhou espaço por conta do serviço de babá para cães que a empresária oferece aos interessados.
Sexta-feira: Marcelo Nakagawa
Ele atua como coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper. Ele será responsável pela análise dos assuntos mais comentados na semana pela equipe de empresários.


 
 

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