A emoção inteligente

Daniel Fernandes

28 de janeiro de 2016 | 05h59


Tenho abordado o assunto da Inteligência Emocional diversas vezes e com vários enfoques – na aventura, no Jedi, na montanha e no fracasso, por exemplo.
Hoje quero compartilhar com você o meu entusiasmo por esta habilidade social fundamental, e que sim, a literatura garante que pode ser desenvolvida e melhorada e que muitas vezes é deixada em segundo plano – já que ser empreendedor é lidar com pessoas o tempo todo, não é?
Também chamado de QE (quociente emocional), para mim é obviamente um dos elementos mais importantes para obter sucesso em qualquer empreitada e, sabendo disso, dedico bastante tempo ao aprendizado humilde e demorado destas capacidades – e acredite, não é nada fácil.
Na antiga Grécia, em 400 a.c. Platão diz que todo aprendizado tem uma base emocional. Hoje parece uma ideia óbvia, mas na época isso foi muito revolucionário e influenciou tudo e todos a partir desse ponto.
Nos anos 1930, o psicometrista Edward Lee Thorndike começa a definir o conceito de “inteligência social” como a capacidade de se dar bem com as outras pessoas, com uma função utilitarista.

Se passam 50 anos e, em 1983, um psicólogo chamado Howard Gardner escreve um livro chamado Estruturas da Mente, onde elabora uma teoria que afirma que as pessoas tem 7 tipos de inteligência (inteligência visual/espacial, inteligência musical, inteligência verbal, inteligência lógica/matemática, inteligência interpessoal, inteligência intrapessoal e inteligência corporal/cinestética).
Em 1990 os psicólogos Peter Salovey e John Mayer divulgam uma teoria e usam pela primeira vez a expressão Inteligência Emocional, que definem como “…a capacidade de perceber e exprimir a emoção, assimilá-la ao pensamento, compreender e raciocinar com ela, e saber regulá-la em si próprio e nos outros.
Mas foi o californiano Daniel Goleman que “lacrou” o assunto e ganhou notoriedade com o livro best-seller Inteligência Emocional em 1995, colocando um holofote definitivo sobre a importância da “…capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos.
Para Goleman, a inteligência emocional é a maior responsável pelo sucesso ou insucesso dos indivíduos, inclusive indicando que a maioria das situações de trabalho é envolvida por relacionamentos entre as pessoas. E, desse modo, pessoas com qualidades de relacionamento humano, como afabilidade, compreensão e gentileza, têm mais chances de obter o sucesso.

Parece fácil, não? Mil livros, muitos cientistas pesquisando o assunto, e mesmo assim nenhum resultado é garantido!
Pois é, o QE é muito, mas muito difícil de adquirir, provavelmente a jornada de uma vida. Um bom começo me parece ser praticar todos os dias com as pessoas que estão ao nosso redor – quem sabe um básico bom dia ao vizinho no metrô? Para mim, tudo é válido, e eu não dispenso yoga, aventuras radicais, incenso, viagens, leituras, filmes, novela de TV, gibi, horóscopo, reza e tudo o que me provoque uma transformação emocional positiva – mas isso já é outro assunto.
Ivan Primo Bornes – o fundador do Pastificio Primo tenta, diariamente, ser uma pessoa mais inteligente, mas pensa que, ás vezes, os resultados podiam ser melhores!

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