A dolorida arte de reajustar preços

Daniel Fernandes

12 de fevereiro de 2015 | 05h00

Rafael Mambretti escreve toda quinta-feira
Não tem 1 ano ainda do projeto de lei que implementou o adicional de periculosidade da categoria de motoboys, 30% de adicional. Apesar das turbulências, suspensões e retornos o adicional veio para ficar e merece!
A função desempenhada tanto pelo motoboy quanto por nossos ciclistas e ebikers (como chamamos os que dirigem as scooters elétricas), faz parte do cotidiano de nossa cidade e, sim, essas pessoas estão expostas aos riscos do trânsito, que mata mais do que muitas doenças e a principal causa não é a falta de cuidado ou imperícia. Já para retirar da análise comentários do tipo “ah, mas é motoboy, anda igual louco”, então todo motorista pega o acostamento em congestionamentos nas estradas?
Independente de tudo isso, entramos em um novo ano. Novo salário mínimo, mais uma rodada anual de inflação, tudo aumenta, energia elétrica, água, gás, preços dos produtos e assim vai. Convenções coletivas, reajustes salariais. Como dançar essa dança entre diversas variáveis? Pode parecer algo normal, o “mercado” deveria estar acostumado, todo ano se reajustam alguns preços. Na nossa ingenuidade nosso primeiro reajuste levou quase 2 anos para acontecer e, obviamente, houve reclamações. Porém, não foram superadas pelos diversos emails de “justo”, “o serviço vale” etc.
Essa foi uma época onde tínhamos em nossa carteira clientes menores e não empresas grandes e suas políticas e índices de reajustes que não chegam muito perto do que a categoria pede. De um lado, o governo nos obriga a seguir a categoria, de outro, o cliente quer seguir a política dele. Novamente, dancemos a dança.
Com o passar do tempo fomos não só reajustando, mas reposicionando o nosso preço. Conseguimos e desejamos mostrar que o cliente, ao contratar o serviço da Carbono Zero, está pagando pela eficiência e não só pela sustentabilidade. Essa última vem do berço.
Pois bem, uma nova fase e novamente vamos buscar um reajuste + reposicionamento. Valorizando o nosso serviço, mas principalmente as pessoas que suam para realizá-lo. Entendemos que também contribui para dar valor à função. Afinal, são poucos seres humanos que conseguem perceber valor em algo “barato”, a ideia de que o custar caro traz valor faz tempo que está errada.
Reajustes são invetáveis, faça da forma mais transparente, honesta e – por que não? – humana possível.
Um abraço,
Rafael

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