A difícil missão de fugir do padrão e ser criativo

Daniel Fernandes

16 de setembro de 2014 | 07h19


Bruno e Juliano Mendes são empreendedores e criaram a cerveja Eisenbahn
Uma das grandes dificuldades encarada por pequenos empreendedores brasileiros é conseguir produzir embalagens de vidro, metal ou plástico diferenciadas para os seus produtos. A maioria dos fabricantes de embalagens não tem muito interesse em desenvolver formatos diferentes, e cobra preços altíssimos para criar novos moldes, além de exigir sempre uma grande quantidade mínima de unidades a cada pedido.
Isso inibe bastante a criatividade desses empreendedores, que têm duas saídas: ou investem um boa soma de dinheiro no desenvolvimentos de embalagens exclusivas ou contentam-se com o que há disponível no mercado. Neste caso, para compensar a embalagem padronizada, que acaba não chamando a atenção em meio a tantas opções nas prateleiras, é preciso caprichar no layout do rótulo e nos pequenos detalhes. Ou seja, é preciso ser, justamente, criativo!
O que melhora esse jogo? O desenvolvimento do mercado é um dos fatores que faz com que as fábricas de embalagens ofereçam mais opções para seus clientes. Basta ver o caso da cerveja: em 2002, quando fundamos a Cervejaria Eisenbahn, havia apenas um modelo de garrafa long neck no mercado. Hoje, com o mercado brasileiro em pleno crescimento, vemos cada vez mais variedade no formato desses produtos, o que é bom para o empreendedor e para o consumidor, que se diverte e aprecia essas diferenças.
Acabamos de desenvolver um novo produto na Alimentos Pomerode: nosso Creme de Gorgonzola. Já havíamos lançado uma versão sachê, mas queríamos algo mais delicado, que pudesse ir à mesa das pessoas. Pensamos que apenas o potinho de vidro igual a tantos outros produtos existentes não chamaria a atenção do consumidor como gostaríamos. Assim, recorremos a um invólucro de papelão (gráficas são bem mais flexíveis para trabalhar com novos formatos), que, na nossa opinião, trouxe elegância e valorizou nosso produto sem trazer grandes despesas não planejadas.

Algumas empresas brasileiras que investiram para ter embalagens de vidro diferenciadas são a gaúcha Casa Madeira (que pertence à Casa Valduga) e a carioca Bazzar. Como recompensa, ganharam destaque nacional e até internacional, além de premiações e aumento das vendas. O design das embalagens de geleias, suco de uva, molhos, coberturas e sobremesas chama mesmo a atenção e deixa transparecer a alta qualidade dos produtos, conquistando o público-alvo das duas marcas.


Outro que está investindo na própria vidraria é nosso colega aqui no Blog do Empreendedor, Leo Spigariol, proprietário da De Cabrón. Hoje, as pimentas da empresa são vendidas em vidro originalmente destinados à perfumes – uma solução muito criativa que, por si só, já destaca bastante os produtos. Com as embalagens próprias, a empresa objetiva melhorar a experiência do seu consumidor e valorizar ainda mais sua marca.
 
 

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