A Dieta Mediterrânea é ancestral e ainda imbatível

Daniel Fernandes

04 de agosto de 2016 | 12h45

Como empreendedor da gastronomia, procuro estar sempre ligado em tudo o que aparece de novo no mundo da comida.
Nas últimas semanas, por exemplo, bombou na internet a notícia de que o presidente americano Barack Obama come sete amêndoas todas as noites. “Nem seis, nem oito. Sete amêndoas”, disse um chef amigo dos atuais ocupantes da Casa Branca em entrevista ao The New York Times. O detalhe foi publicado no meio de uma grande reportagem sobre a rotina noturna de Obama, mas foi prato cheio para os palpiteiros nutricionais, que saíram a público defendendo as maravilhas realizadas pelas amêndoas.

Este é um caso em que se defende os benefícios de um alimento, algo bem positivo. Mas às vezes os “especialistas” detonam com a mesma facilidade e superficialidade – se lembra do tempo em que o café ou o ovo era o vilão?
Toda vez que leio uma notícia assim, me lembro da nutricionista Sophie Deram, doutora em Endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP. Ela defende que vivemos hoje um ‘terrorismo nutricional’, que faz com que as pessoas não saibam mais o que comer. “Hoje estamos focando no alimento de um jeito muito simplificado: ou o alimento é bom ou é ruim. Não existe isso’.
Como um operário da comida, por dever de ofício e força da paixão, a cada nova ‘descoberta milagrosa’ eu volto a repetir meu mantra, minhas crenças alimentares que há muito me acompanham – e que são a base do meu negócio desde sempre:
– cada um deve procurar comer o suficiente ao seu estilo de vida, nem mais, nem menos;
– evitar açúcar e sal em excesso, são 2 venenos;
– fugir de alimentos industrializados – esse tem que ser levado muito a sério;
– preferir ingredientes pouco processados, como manteiga, azeite de oliva, massas e pães; e sempre procure a melhor qualidade possível;
– consumir carnes com moderação;
– beba muita água (e porque não um vinho?).
As minhas regrinhas parecem simples? Sim! E também são ancestrais: os mediterrâneos fazem uso dela há séculos.
Embora tenha o nome de dieta mediterrânea, ela se tornou universal. E, mais importante: à prova de modismos alimentares. Nada de novo. Mas sempre vale a pena lembrar de novo.
Ivan Primo Bornes – o fundador e masseiro do Pastifício Primo (www.pastificioprimo.com.br) escreve toda semana no Blog do Empreendedor
 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: