A Copa vai começar. E a contagem regressiva para a improdutividade já começou

Daniel Fernandes

28 de maio de 2014 | 07h05

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira
O Brasil logo, logo vai entrar em campo. E a contagem regressiva para improdutividade já começou. Será como no carnaval, só que por 30 dias. Ontem encontrei um redator de uma grande agência e a primeira coisa que me disse foi: ‘Caramba, tô trabalhando em dobro porque no mês que vem ninguém vai fazer nada. Esse país vai parar.’
Parar? Pensei comigo: Rá, acho que a Sabesp não vai parar de enviar as contas, muito menos a CPFL. Tarifas bancárias e cartões de crédito? Rá! Rá! Rá! Seremos nós, pequenos e médios empresários, que teremos que pagar essa conta. A conta do pão e circo.
E pior: as categorias de classe não estão nem um pouco preocupadas nos reflexos de tudo isso. No fim, como os holofotes do mundo estarão voltados para o evento, será a chance de todo mundo, ao mesmo tempo, reivindicar.
Quem será que vai gritar mais alto?
E eu odeio o futebol.
Quando criança, era pelo fato de não ter habilidade para a coisa, sendo sempre excluído dos times. E, depois que virei dono do meu próprio nariz, por perceber que seu enredo – dentro e fora de campo – representa muito esse nosso jeitinho brazuca de ser, enquanto sociedade, enquanto País.
Na malandragem, no samba e na ponta da chuteira, sempre damos um jeito para as coisas. Jeito que não damos.
Educação, por exemplo, demos um jeito sim. Um jeito de criar uma máquina de diplomas em instituições particulares. Jeito de reduzir os analfabetos para a ONU e criar um altíssimo índice de analfabetismo funcional – sabem ler, mas não consegue entender o que está escrito. Outro dia respondi a um post em uma rede social de um amigo, que reclamou sobre o fato da prefeitura de Santa Cruz do Rio Pardo não ter retirado um sofá do canteiro central de uma certa avenida. Comentei, na ocasião, que não sabia se o problema maior era do serviço público que não funciona ou da falta de educação de quem jogou o sofá lá. E jogar coisas em vias públicas não tem relação com classe social, afinal, a bituquinha não olha conta bancária.
Educação. Não existe nenhuma outra forma de mudarmos, se é que existe tempo ainda, este País. Por mais distante da realidade que pareça, precisamos iniciar uma nova Era da reconstrução e reeducação civil no Brasil.  Urgente.  E preparem-se para a tempestade que está se formando à frente. Essa Copa vai trazer muita coisa à tona e causar muito mais prejuízos do que lucros. Pode ter certeza.
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