A capital do churrasco não fica no Rio Grande do Sul

Daniel Fernandes

18 de março de 2015 | 07h02

Leo Spigariol escreve toda quarta-feira no Blog
Qual a capital do Mato Grosso do Sul? Não. Mato Grosso do Sul! Isso! Cuiabá não. Uma cidade que você, que não viaja para lá quase nunca, ou nunca, pensa que é feia. Engano seu: é Bonito, digo, bonita. Os Brasis são aquelas coisas difusas, fragmentadas e, estranhamente, unas. E a capital do Mato Grosso do Sul é uma cidade plana, arborizada e pulsante.
Os gaúchos vão achar heresia o que vou dizer: hoje estive na capital do churrasco. O povo da capital do Mato Grosso do Sul vive de carne. Viajei a serviço duplo para essa terra do churrasco: encontrar um cliente de branding e design e fazer um crossover de universos, da pimenta De Cabrón e o produto dele. O produto? Linguiça. Não estou enchendo linguiça não. É linguiça sim. A parte mais paupérrima do churrasco, o boi de piranha da nobre arte do preparo da carne, geralmente relegada para os esfomeados e pouco iniciados nessa arte. A linguiça é praticamente um peão na guerra, vai na vanguarda, para levar os primeiros tiros de canhão, para caírem mortos nas primeiras abocanhadas.
O nosso cliente é uma startup insuflada de ideias, crenças, valores, objetivos e tudo que alimenta uma empresa que inova. Você vai dizer que estou enchendo linguiça ainda? Imagine uma linguiça que fuja aos parâmetros, que mude a percepção do produto de guerrilheira de churrasco. Imaginou? Então imagine agora uma linguiça feita de carne bovina, originária de gado precoce (o filé do filé do gado bovino), que se alimenta de pasto ao ar live, sem agrotóxicos em seu alimento e sem receber uma bateria de injeções de todo tipo de medicamento. Ou seja, carne de primeira, com reduzido uso de “sal de cura”, resultado de práticas de manejo sustentáveis e recheada de selos de qualidade, a caminho de ser uma linguiça orgânica – o próximo objetivo desse nosso cliente. Inimaginável não? Somente provando para saber o sabor dessa linguiça. O resultado é uma ideia não totalmente original, já que o estado tem a tradição nesse tipo de linguiça, mas inovadora ao juntar uma série de preceitos contemporâneos de produção e sustentabilidade.
O nosso cliente está investindo numa nova fábrica, habilitada para fornecer para todo o Brasil e resto do mundo. Em plena atmosfera de “crise”, como anunciam os pessimistas, nosso cliente está empolgado e está preparado, estruturado e capitalizado para, em um passo de cada vez, com a cabeça voltada para o futuro, fazer um negócio que vai mudar os paradigmas do churrasco no Brasil. E do mundo, por que não?
Gosto de dizer que devemos sempre nos preparar para os tempos de crise: nos preparar para poder investir exatamente quando todos acham que estamos nesse estado econômico letárgico.
Realmente me surpreendi com Campo Grande. E com Guarânia, linguiça do pantanal (e parceiro também, oras!), que enche linguiça com sabor, qualidade e inovação.
 
 
 
 

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