A arte de ir em frente sempre. Como pessoa e profissional

Daniel Fernandes

01 de julho de 2013 | 07h21

Pedro escreve sobre crescimento pessoal

A transparência inerente às redes sociais que inspirou as pessoas nos protestos nas ruas também afeta a dinâmica dentro da empresa, conforme falamos no último post.  Assim como as pessoas protestam como cidadãos, elas também explicitam o seu lado profissional.  Nesta nova dinâmica, os líderes devem cultivar ainda mais a cultura do diálogo e  principalmente uma maior disposição para o seu próprio aprendizado pessoal. Com o diálogo e a interação com o outro temos mais chances de nos perceber também como pessoa.
Mas qual é este aprendizado? Crescemos pessoalmente quando quebramos algum paradigma próprio,  aumentando a nossa própria percepção e a do entorno.   Crescimento no respeito para o contexto das pessoas, para a emoção que permeia as relações humanas e principalmente a vivencia de valores presentes na subjetividade de cada pessoa em seus diversos papeis na vida.  Enfim, aumentar a nossa sensibilidade do contexto.
Para discutir mais sobre este incrível tema do aprendizado pessoal, trago abaixo em destaque o texto de Mauro Back, meu líder e sempre inspirador chefe escoteiro, que é nosso diretor de TI e da gestão da UAH (ambiente formativo na ClearSale):
‘Todo profissional é uma pessoa e uma parte importante da pessoa é o profissional. Dada esta verdade, na Clearsale adotamos a tese de que a pessoa não deve abandonar seu lado pessoal quando entra na empresa, mas deve, dentro deste ambiente, viver seu lado pessoal de forma simbiótica para si e para a empresa.
Diante do exposto, é natural que no processo formativo das pessoas se discuta não só o crescimento profissional, mas também o pessoal.
A ideia que me vem quando penso que em crescimento pessoal é que ele é um “crescimento para mim”. Embora isto possa parecer um tanto egoísta, deixa de sê-lo quando assumimos que voltar-se “para o outro” é fundamental para desenvolver o “para mim”.
Tradicionalmente, sempre que se pensa em educação, e no nosso caso educação corporativa de adultos, os “currículos” centram-se no saber. Nas escolas e faculdades, o currículo é uma sucessão fixa de disciplinas com ementas definidas que essencialmente concentram-se na aquisição de conhecimentos e habilidades. O foco é saber algo, como saber matemática, ou saber fazer algo, como saber programar um computador ou saber tocar um piano.
Ocorre que o desenvolvimento pessoal é muito pobre quando se centra apenas no saber. Na Clearsale definimos então “5 Ss” para dar integralidade ao crescimento das pessoas. Os três primeiros “Ss” abrangem subjetividade (capacidade de perceber a si mesmo e superar comportamentos condicionados), sensibilidade (capacidade de perceber os outros em profundidade e também os fatos e todas as coisas) e sociabilidade (capacidade de conviver harmonicamente e contribuir para grupos de pessoas de todas as dimensões). A arte é um componente forte de desenvolvimento da sensibilidade e quem toca um instrumento musical sabe que o saber tocar não é suficiente, mas que a verdadeira emoção da música vem da sensibilidade que acompanha a execução.
O quinto S é o meu favorito; sabor, a capacidade de ser feliz e que também é algo que se pode desenvolver, focando primeiro nas alegrias do dia a dia, mas também na felicidade conquistada pela realização de objetivos pessoais de mais longo prazo.
Todos os “Ss” contribuem com o desenvolvimento pessoal, mas o exercício da profissão tem realmente uma ligação profunda com o saber. Entretanto é fato sabido que muitas vezes as pessoas perdem os empregos não por falta de saber, mas por aspectos comportamentais. Desta forma fica evidente que com o desenvolvimento pessoal a empresa também tem muito a ganhar e que o desenvolvimento profissional, onde o ganho da empresa é mais evidente, também é desenvolvimento pessoal, porque também é “para mim”. Particularmente, como exemplo, são mais evidentes estas afirmações quando olhamos mais profundamente para um processo de desenvolvimento de líderes.
Posto isto, passo a relatar uma experiência pessoal onde poderia ser dito que “tudo conspirou para meu próprio desenvolvimento”, não fora eu uma pessoa com tendência para atribuir tais fenômenos sempre ao acaso.
Quando entrei na Clearsale fiz uma dinâmica, com a Dra. Cecília Warschauer, denominada “brasão”, onde expressei esteticamente e simbolicamente uma série de questões sobre mim mesmo. Neste brasão apontei como ponto forte minha capacidade de liderança e formação de times. Em contrapartida, paradoxalmente, em outra parte do brasão apontei como ponto fraco minha capacidade de desenvolver as pessoas do time.
Esta era uma deficiência que sentia de longa data. Nas empresas onde passei, deixei-me afogar pelas urgências e sempre me sentia recorrentemente angustiado com falta de tempo para o importante.
Por outro lado desenvolvi verdadeira ojeriza por reuniões, de tal forma minha experiência imposta com reuniões inúteis me traumatizou. Desta forma, para conseguir realmente produzir, criei uma estratégia modificando minha sala de trabalho, eliminando as famigeradas mesa e cadeira de gerente ou diretor e transformando a sala numa sala de reuniões, sem nenhuma reunião recorrente, mas com dezenas de microrreuniões, convocadas na hora, com as pessoas pertinentes para resolver o problema do momento.
Entrando na Clearsale repliquei este modelo, que realmente tem virtudes, mas não soluciona tudo, e encontrei estabelecida a metodologia de Roda & Registro da Dra. Cecilia, como alicerce no desenvolvimento das pessoas. Se uma roda não é uma simples reunião, com certeza implica em reunir as pessoas e isto vinha contra meu “uso e costume”. Por outro lado, não reunir é realmente absurdo se pesarmos que queremos desenvolver equipes e pessoas.
Unindo tudo isto, enfrentei minha antiga angustia e instituí o dia do importante. O dia para acompanhar meus gerentes e especialistas, suas metas e seu desenvolvimento. O dia para ser um líder de verdade, focando as funções mais nobres do líder, o resultado e desenvolvimento das pessoas. Neste dia passei a fazer a roda com meus gerentes e especialistas e começamos por refletir o tipo de líderes que queríamos para a TI da empresa, as habilidades que este líder tem de ter, um diagnóstico do nosso time no sentido comportamental e também técnico, uma estratégia para aumentar a sinergia na TI, o plano de desenvolvimento individual de cada líder e assim por diante.
Pude aprender, na prática, que as rodas podem e devem se encadear como um corrente crescente de crescimento pessoal e do time.
Paralelamente, em uma roda dos sócios da empresa, com mais alguns diretores, passamos a aprofundar a habilidade de gestão do tempo, com base na nossa experiência compartilhada e também com base em saberes disponíveis no mercado. Isto reforçou minha certeza da importância de ter o dia do importante ou o tempo reservado para o importante.
Por fim, tendo aquele brasão esquecido, mas guardado com carinho no armário, certo dia emprestei minha sala para a Cecilia fazer a dinâmica do brasão com duas pessoas da minha equipe. Normalmente eu deveria sair, porque sempre algo de muito pessoal sai da dinâmica, mas as pessoas disseram que eu ficasse, porque havia espaço para eu trabalhar num ponta da mesa enquanto eles faziam a dinâmica e também, com certeza, porque confiam em mim.
Prometi então, no final, mostrar o meu brasão esquecido e quando o fiz, vi que tudo estava lá, a angústia original e o problema, que penso já evolui na solução, tanto na prática, quanto dentro de mim, o que com certeza é o mais difícil.’
Obrigado Mauro! Linda a teoria e principalmente o exemplo do teu crescimento pessoal! E assim em rodas e registros acolhendo as pessoas com  transparência buscamos um ambiente auto formativo que traga além da felicidade pessoal um grande ganho profissional. Vamos em frente sempre!

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