2018, o melhor ano da história das startups no Brasil

2018, o melhor ano da história das startups no Brasil

Marcelo Nakagawa

07 de dezembro de 2018 | 11h56

Os boatos já circulavam no final de dezembro de 2017, mas no dia 2 de janeiro de 2018 o Brasil tinha, oficialmente, seu primeiro unicórnio. A chinesa Didi assumiu o controle do aplicativo de transporte urbano 99 por R$ 1 bilhão. Somado aos outros investimentos da empresa (criada em 2012 por Ariel Lambrecht, Renato Freitas e Paulo Veras), esse valor definia a primeira startup criada no Brasil avaliada em US$ 1 bilhão.

A 99 foi apenas a primeira de vários outros unicórnios que vieram depois, como Nubank, Stone, Movile, iFood e Arco. Excluindo China e Estados Unidos, nenhum outro país conseguiu criar tantos cavalinhos com um único chifre como o Brasil.

Janeiro não havia acabado quando o IPO da PagSeguro na Bolsa de Nova York deixou o mercado internacional incrédulo. “NYSE’s Biggest IPO Since Snap Is $2.3 Billion for Brazil Fintech” foi o título da reportagem publicada na Bloomberg. Aquela startup corporativa que vendia maquininhas de pagamento havia levantado US$ 2,3 bilhões e chegou a valer quase US$ 9 bilhões no primeiro dia de negociação, caindo depois. A PagSeguro abriu caminho para outras ofertas públicas iniciais de ações nos Estados Unidos como o da Stone e da Arco Educação.

Funcionários na sede da 99 em São Paulo. Foto: Amanda Perobelli/Estadão

Em fevereiro, o Bradesco inaugurou o inovaBra Habitat, um prédio de 10 andares e 22 mil metros quadrados quase na esquina da Av. Paulista com a Rua da Consolação, na cidade de São Paulo.

Posicionando-se como um centro de co-inovação, o Bradesco convidou dezenas de grandes corporações e quase duas centenas de startups, além de parceiros tecnológicos, universidades, investidores, consultores e mentores, para habitarem o espaço e co-criarem inovações entre si.

Seguindo a mesma lógica, o Cubo, iniciativa do Banco Itaú com o fundo de investimento Redpoint eVentures, mudou de prédio e inaugurou o novo Cubo (carinhosamente chamado de Cubão), em agosto. Neste novo espaço de 14 andares e 20 mil metros quadrados, grandes corporações lideram andares temáticos como educação (Kroton), varejo (BR Malls), saúde (DASA), indústria (Schneider) ou fintech (Itaú e Rede) e mantêm-se próximas de startups do setor.

Considerando apenas Habitat e Cubo, o País ganhou espaços para hospedar cerca de 400 startups que interagem diariamente com grandes corporações, investidores e mentores Em junho de 2018, outra novidade que terá grandes impactos para as startups nos próximos anos foi lançada. A Lei de Informática foi atualizada, e as empresas beneficiárias como Samsung, Lenovo ou Positivo Informática poderão investir até 2,7% da sua receita bruta em fundos de investimentos de venture capital, aceleradoras ou diretamente em startups.

Mais de R$ 500 milhões poderão estar disponíveis para startups todos os anos. Mas este volume é apenas o começo, já que outras leis que determinam investimento compulsório em pesquisa e desenvolvimento (como ocorre no setor de energia elétrica, petróleo e gás) ou optativo, como a Lei do Bem, poderão em breve seguir lógica semelhante, incentivando o investimento de grandes corporações em startups.

Sede da Loggi em Alphaville, em SP. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

O Brasil ficou parado entre a Copa na Rússia e as eleições, mas em outubro o mercado brasileiro de startups ficou de queixo caído com a chegada do mais poderoso de todos os fundos de venture capital do mundo. O Softbank, que administra o Vision Fund e inacreditáveis US$ 100 bilhões, aportou R$ 400 milhões na Loggi, uma das principais startups de entregas expressas do Brasil. Em seguida, o mercado ficou admirado com outro aporte gigantesco em novembro. A General Atlantic, um dos maiores investidores internacionais, liderou o investimento de R$ 250 milhões na QuintoAndar, startup de aluguel de imóveis.

E o mês de novembro ainda surpreende pois o iFood, principal aplicativo de pedido de comida do País, recebeu um aporte de quase R$ 2 bilhões de investidores como o Innova e a Naspers. Com o investimento, tanto o iFood como a Movile, sua controladora, atingiram publicamente o status de unicórnios.

O ano ainda não acabou, mas os boatos sugerem que o próximo ano será ainda melhor para as startups brasileiras.

* Marcelo Nakagawa é professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper

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