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| 05 de fevereiro de 2017 | 5h 00

Vitória de Trump derruba comércio de armas nos EUA

Vendedores aumentaram estoques esperando por vitória de Hillary Clinton, mas eleição de republicano esfriou mercado

O Estado de S.Paulo

Eleição de Donald Trump não vem sendo boa para segmento de armas

Eleição de Donald Trump não vem sendo boa para segmento de armas

Os republicanos tendem a ser totalmente favoráveis ao direito dos americanos portarem armas, enquanto os democratas defendem políticas de restrição. Logo, a eleição de um presidente republicano é boa para a indústria de armas, certo? Não exatamente.

De acordo com reportagem da "Business Insider", a vitória de Donald Trump vem sendo ruim para quem comercializa armas de fogo e munições. O motivo é simples: as vendas tendem a aumentar quando há no poder um presidente favorável a um maior controle de armas. Isso ocorre porque o medo de novas restrições induz as pessoas a comprar armas enquanto elas ainda podem.  

Esse fenômeno costuma acontecer principalmente depois de tiroteios e eventos políticos que voltam a colocar restrições em discussão. Em janeiro do ano passado, após massacre em escola de Newtown, o ex-presidente Barack Obama chegou a chorar. Poucos dias depois, anunciou um pacote com 23 medidas para um controle mais severo ao comércio de armas de fogo.

As medidas foram tomadas por meio de ordens executivas justamente porque Obama teve dificuldades em convencer o Congresso de maioria republicana. E o ex-presidente recebeu críticas mesmo com o pouco efeito prático das medidas.

Caso vencesse a eleição, Hillary Clinton tenderia a seguir a mesma linha de Obama. Só que foi Trump quem chegou à Casa Branca, e, como o republicano tem posição oposta a dos democratas sobre o assunto, os consumidores de armas e munições não se sentiram incomodados. Para piorar a situação, muitos lojistas estocaram mercadoria esperando por uma vitória de Hillary.

John Fischer, CEO da fabricante de armas Winchester, disse à Business Insider que os comerciantes esperavam por um efeito nas vendas semelhante ao ocorrido após as eleições de Barack Obama em 2008 e 2012. Ele confirmou que a companhia tem registrado queda na procura por munições desde a vitória de Trump, e que a expectativa é que a as vendas continem desacelerando  ao longo de 2017.

Outra fabricante de armas, a Smith & Wesson, já havia declarado publicamente que a eleição de Obama ajudou nas vendas à época.

O sistema usado para checar o histórico de compradores de armas do FBI, um dos indicadores da situação das vendas, teve 600 mil registros a menos em dezembro de 2016 em comparação com o mesmo período do ano anterior.

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