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Gestão| 26 de julho de 2012 | 10h 20

Quer ser um empresário da noite? Você precisará matar o negócio em até 5 anos para sobreviver

Baladas paulistanas têm ciclo de vida curto, mas a margem de lucro pode chegar a 25% e isso atrai pequenos empresários

Renato Jakitas, Estadão PME

Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE
Consumidor está disposto a gastar, mas ele sempre procura por novidades

 A noite paulistana pode ser democrática e lucrativa. Mas quando está em jogo a disputa pelo mercado de entretenimento, ela é, sobretudo, implacável. Por isso, para se dar bem no segmento, é preciso apresentar ao cliente sempre algo novo. Por incrível que pareça, é a mesma premissa adotada por setores tão distintos quanto os de moda e tecnologia. Mas com uma diferença importante: uma casa noturna dificilmente sobreviverá mais do que cinco anos, contados a partir do lançamento.

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O curto ciclo de vida pode ser recompensado por margens de lucro que oscilam, segundo empresários do setor, entre 20% e 25%. A boa notícia é essa: os clientes querem gastar e desembolsam, em média, R$ 100 nos estabelecimentos – principalmente entre quinta-feira e domingo, quando as baladas registram 80% do movimento de consumidores.

“O entretenimento noturno é um bom negócio. Em geral, as pessoas que saem estão dispostas a gastar um pouco mais, querem esquecer os problemas do dia. Mas as empresas são formadas por investimentos pontuais e com tempo de vida de médio prazo”, afirma Clarisse Setyon, coordenadora do curso em gestão do entretenimento da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

Para a especialista, não importa o valor do investimento, é preciso lucrar rapidamente e tratar de criar uma empresa nova. Ou reposicionar a antiga. “É tudo muito cíclico. As pessoas querem novidades e essas casas também ficam ‘gastas’ em pouco tempo, envelhecem logo. Quando isso acontece, é melhor fechar e lançar um outro negócio”, destaca Alexandre Mutran, diretor de atendimento da agência Tudo, braço de eventos do Grupo ABC.

Prática

O empresário Kako Perroy, basicamente, coloca em prática as recomendações desses especialistas. Perroy é hoje sócio de 11 casas noturnas de alto padrão na capital paulista, em cidades do interior e também no litoral de São Paulo.

Dessa maneira, o empreendedor não pensou duas vezes para fechar as portas da boate Mokai, até então um dos seus principais estabelecimentos.

Em seguida, Perroy consultou a 9ine, agência mantida pelo ex-jogador de futebol Ronaldo, e idealizou a Outlaw, discoteca sertaneja que terá o cantor Luan Santana como parceiro para validar a marca. A casa será lançada em setembro deste ano e custou R$ 4 milhões, com retorno previsto para ocorrer em no máximo dois anos.

“No meu caso compensa deixar uma casa aberta a partir de R$ 600 mil por mês de faturamento. Baixou disso, como aconteceu com a Mokai, que rendia R$ 18 milhões no primeiro ano, já começo a pensar no que fazer”, afirma o empresário, que também tem participações no Club Set, Café de la Musique São Pedro, entre outros estabelecimentos noturnos.

Serviços
A regra dos cinco anos, segundo Clarisse Setyon, vale para os negócios puramente dedicados ao entretenimento – como as baladas de Kako Perroy –, mas também para os empreendimentos menores e que gravitam em torno dessas casas.

“Pode ser um carrinho de cachorro quente que fica na porta da casa noturna. Ninguém vai ficar sentado na mesma mesa muitos anos”, destaca. “É diferente de quem não foca apenas em entretenimento”, avalia Clarisse. A professora refere-se às empresas de serviços que atuam durante o dia, mas também encontram boas oportunidades com o movimento noturno de pessoas. Lojas de conveniência, por exemplo.

Segundo César Guimarães, diretor de defesa da concorrência do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Lubrificantes (Sindicom), que monitora o setor, o pico de consumo das conveniências ocorre a partir do fim do expediente, por volta das 19h. O negócio, para ele, tem vocação 24 horas e mesmo as lojas que fecham sempre optam pelo turno estendido – encerrando as atividades por volta das duas da manhã e reabrindo às seis.

“Em 2010, existiam 1.715 lojas de conveniência no Estado de São Paulo, 60% delas na capital. A noite é um período muito importante, principalmente por conta das refeições oferecidas aos clientes. A loja que atua nesse horário pega o público da madrugada”, avalia Guimarães.

A padaria é outro tipo de negócio que aproveita-se do movimento das casas noturnas. De acordo com Antero José Pereira, presidente do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria de São Paulo (Sindipan), existem em São Paulo 630 estabelecimentos que operam 24 horas. A maioria deles funciona na região central da cidade, área próxima das baladas. “A questão é público. Se tem movimento, não tem motivo para fechar de madrugada. Pelas informações que temos, essas padarias chegam a tirar por volta de 20% do faturamento durante a noite”, revela Pereira.

Pioneira
Lançada há 13 anos no bairro dos Jardins, a Galeria dos Pães foi a primeira a investir no período noturno como opção para engrossar o caixa. O sócio Milton Guedes diz não se arrepender da iniciativa.

“Na época, fizemos um levantamento e observamos que havia uma carência por um serviço como o nosso na região, que tem muitas casas noturnas e opções de lazer”, afirma o empreendedor. Hoje em dia, 30% do movimento ocorre entre 22h e 6h, quando a maioria das padarias concorrentes está fechada para o público.

Ainda de acordo com Guedes, aos sábados a Galeria dos Pães chega a receber 3,5 mil pessoas durante a madrugada.




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