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Negócios| 30 de julho de 2012 | 17h 50

Pequenas empresas, como fabricante de giz de cera feito com mel de abelha, querem exportar

Consultor do Sebrae afirma que crescem pedidos de ajuda de empresários interessados em vender fora do País

José roberto castro, especial para o estado

Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE
Júlia vai vender giz de cera de abelha no Canadá

A Apiscor é uma fábrica de giz de cera com apenas três funcionários e se prepara para uma parceria ainda pouco explorada por microempreendedores e pequenas empresas: vender para o exterior. A empresa da zona sul de São Paulo recebeu, em março, uma proposta do Canadá para vender seus produtos no país. Mesmo enquanto ainda finaliza os estudos para firmar o negócio, Soraya Gruenwaldt, encarregada das vendas, já tem um novo alvo: o Japão.

“Vai ser mais fácil crescer exportando, do que crescer aqui no Brasil, por causa da burocracia”, afirma Soraya. O giz é feito com cera de abelha e não agride o meio ambiente, o que pesa a favor do produto e facilita a aceitação no mercado externo.

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O percurso, porém, não é fácil para as pequenas. “As grandes empresas sabem o caminho, a gente entende é de fazer giz de cera. Estamos tentando aprender”, afirma Júlia Gruenwaldt, engenheira química que criou a fórmula do giz.

Para encontrar o melhor caminho, Soraya procurou bancos, Correios e está fazendo os cálculos de viabilidade com ajuda do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Ela já foi à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) obter o Certificado de Origem, documento necessário para empresas paulistas, e a expectativa é enviar o primeiro lote para o Canadá já no próximo mês de agosto.

Assim como a Apiscor, cada vez mais pequenas e micro miram o mercado externo. O consultor do Sebrae Thiago Farias diz que o aumento constante do dólar nos últimos cinco meses ampliou as exportações das micro e pequenas empresas brasileiras, pois os produtos ficaram mais baratos.“No ano passado, 80% das pessoas que procuravam o Sebrae queriam importar. Hoje, é 50% para exportação.”

Se o preço já anima microempresários brasileiros, as exportações diretas, sem intermediários, desse segmento ainda são pequenas. Representaram pouco mais de 1% do total de exportações brasileiras em 2010, últimos dados disponíveis no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Segundo Farias, o número mais do que dobra se também forem levadas em consideração as empresas que exportam por intermédio de tradings.

Com a ajuda do real menos valorizado, as pequenas que já exportam buscam agora opções ao mercado europeu. Raquel Cruz, dona da Feitiços Aromáticos, empresa de cosméticos que vende para o Velho Mundo há oito anos, redirecionou seu foco e diz que está prestes a enviar sua primeira remessa de produtos para o Chile.

“Acredito que (o câmbio) vai fazer a diferença, melhorar nossa competitividade. Até porque, nosso concorrente é americano.” A companhia já criou uma linha de produtos exclusivos para o mercado externo.

Dicas.
Com a sua experiência, Raquel dá algumas dicas aos novatos em negócios internacionais. A empresária conta que é preciso ter um preço diferente quando produto é vendido para fora do País.

O valor mais elevado cobre gastos com o transporte interno até o porto ou aeroporto e despesas com despachantes e empresas de trading.

“Em geral, cobro 30% mais caro”, conta a empresária, destacando que a porcentagem de aumento varia dependendo do tipo de produto. Apesar de no Brasil existirem seguros contra maus pagadores, Raquel só faz negócio se receber antecipadamente, uma atitude recomendada pelo Sebrae. Ela já utilizou os serviços de uma trading e só recentemente começou a exportar diretamente para seus clientes. “Por comodidade, usamos a trading por muito tempo. Eu recomendo para quem está começando. Facilita muito.”

Este tipo de companhia cobra uma taxa para resolver toda a burocracia envolvida em uma negociação internacional.

O empreendedor paga para não ter de se preocupar com logística, transporte, seguro e pagamentos. Algumas dessas empresas assumem até a negociação e oferecem consultorias para melhorar a eficiência de quem quer exportar.

Como fazer.
Na hora de exportar, é importante entender bem como funciona o comércio internacional. O Sebrae oferece curso de preparação para que as micro e pequenas empresas se preparem para a internacionalização. Farias comenta a importância de se habilitar antes de tentar os primeiros negócios internacionais. “Exportar é um jogo de tiro ao alvo com uma bala só. Você precisa acertar a primeira para ter direito ao segundo tiro.”

No curso, empreendedores aprendem a conhecer mercados, identificar potenciais compradores e a calcular os riscos e lucros. É preciso conhecer a legislação do país comprador e conferir se na composição do produto não existe substância proibida.

Segundo o Sebrae, a internacionalização tem mais chances de ser bem sucedida se ela for para um país com cultura parecida com a brasileira. A distância e o idioma também, de acordo com a entidade, podem atrapalhar as negociações. Por isso, a recomendação é que se dê preferência a países próximos.


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