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Minha história| 14 de março de 2012 | 8h 08

Pão de Queijo para exportação: confira os planos da tradicional empresa Forno de Minas

Família recomprou o negócio faz três anos e agora investe R$ 40 milhões para atrair lanchonetes e até exportar

ALEXANDRE RODRIGUES, O ESTADO DE S.PAULO

Washington Alves/AE
Washington Alves/AE
Helder Mendonça, diretor da Forno de MInas

 Três anos depois de recomprar a tradicional marca de pão de queijo Forno de Minas, a família fundadora do negócio conclui este ano a expansão da fábrica de Contagem (MG) para seguir sua estratégia de recuperação de mercado com novos produtos. Foram investidos R$ 40 milhões. Além de reconquistar espaço nas prateleiras dos supermercados, a empresa quer vender mais do que pão de queijo para atrair lanchonetes no mercado de food service e exportar.

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A fábrica na região metropolitana de Belo Horizonte chegou a fechar as portas em 2009, no capítulo final da crise que se seguiu à aquisição pela americana General Mills, dez anos antes. Alterações na receita original criada por Dalva Mendonça, fundadora da empresa, foram rejeitadas pelo consumidor, e a produção mensal de 1,6 mil toneladas despencou para menos de 600 toneladas em uma década. A multinacional americana, que havia investido cerca de US$ 80 milhões na aquisição, terminou na porta dos antigos donos, que sofriam à distância com a decadência do negócio.

"Nosso produto tem 20% de queijo, que é 80% do custo. A General Mills foi tentada a substituí-lo por aromatizantes. Só esqueceram de combinar com os consumidores. Quando reassumimos, a receita tinha apenas 2% (de queijo)", conta Hélder Mendonça, filho de Dalva, presidente da empresa. Ele não revela o valor da recompra, mas admite que pagou bem menos do que havia recebido. "Vendemos uma empresa líder e compramos fechada. Era um desafio, mas o lado emocional pesou. Era como terminar a educação de um filho deixado órfão por dez anos."

Retorno. Para reconstituir o produto, Dalva, aos 69 anos, voltou à fábrica como diretora industrial. Ajudou o fato de a família ter investido na fábrica de laticínios que manteve enquanto ficou fora da Forno de Minas, o que garante a principal matéria-prima. Além da musculatura financeira reforçada pela aquisição de 29% do capital pelo fundo Mercatto, em 2010, a Forno de Minas contou com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para cerca de 40% do seu plano de investimentos.

A expansão da fábrica de Contagem aumentará a capacidade de produção de 2 mil para 3,5 mil toneladas até o fim de 2012, para cumprir a meta de elevar de 20% para 40% a participação de outros produtos nas vendas.

Atualmente, 80% do faturamento vêm do pão de queijo. Equipamentos foram comprados para desenvolver novos produtos, como empadas, folhados, broas e waffles, que chegaram ao mercado no final de 2011.

As vendas subiram 83% no ano passado, chegando a R$ 110 milhões. Neste ano, a previsão é alcançar R$ 160 milhões. A manutenção do crescimento, diz Mendonça, passa pela diversificação de portfólio e também dos mercados. Cerca de 5% da produção já são exportados para países como os EUA.

Mas o principal objetivo da Forno de Minas agora é reequilibrar em 50% do faturamento o fornecimento para bares, restaurantes e hotéis, o chamado "food service". Atualmente, o segmento representa 20% da receita.

"A ideia é dar uma solução completa em termos de variedade, como um fornecedor único para uma lanchonete, por exemplo. Mas ainda precisamos reconquistar os clientes. Muitos ficaram sem o que vender quando a fábrica fechou. Já conseguimos voltar às gôndolas, mas o food service é uma venda que envolve muitos serviços e confiança. Leva tempo", diz Mendonça.

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