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Alerta| 23 de fevereiro de 2015 | 6h 48

Food trucks? Paletas? Quais são os negócios perigosos para investir em 2015

Estadão PME conversou com três especialistas para alertar quem pretende empreender este ano

Gisele Tamamar, Estadão PME

Matéria atualizada às 13h51 do dia 23 de fevereiro

Negócios que exigem muito planejamento, alto investimento e só têm retorno no longo prazo são considerados arriscados e perigosos para os investidores. Passado o carnaval, o Estadão PME conversou com três especialistas para indicar quais são os negócios considerados perigosos para quem pretende empreender no ano. A conclusão é a mesma: é preciso inovar e fugir do “mais do mesmo”. Confira a opinião de César Souza, presidente do Grupo Empreenda, Diego Simioni, cofundador da consultoria GoAkira e do especialista em food service e fundador da Food Consulting, Sergio Molinari.

Sergio Castro/Estadão
Sergio Castro/Estadão
Paleta é apontada como um negócio perigoso para investir em 2015

Na área de alimentação, Molinari apontou três negócios que foram muito falados em 2014, mas que têm riscos grandes embutidos. O primeiro é o food truck. “Eles levaram a comida para a rua, são super legais, crescem, existem milhares lá fora, mas tem dois pontos de atenção”, afirma. O primeiro é que existe uma limitação na cidade de São Paulo. Em Nova York, por exemplo, existem 2 mil. Em São Paulo, Molinari acredita que dificilmente existe capacidade para absorver 300 deles. Hoje, não devem chegar a 100.

O segundo ponto é a gestão. “Ter um food truck não é tão menos complicado e menos complexo que um restaurante. Não é um negócio para uma aventura. Ao menos se você tem muita grana e está a fim de ter um. Em 2015 teremos uma proliferação grande, mas é um negócio difícil de gerir e tem limitações”, diz.

Outro negócio citado por Molinari foi o das paletas. “Nada contra o produto, mas se você observar, todos os shoppings, galerias, principais avenidas, quase todos os locais já tiveram colocação de um quiosque de paletas. Brasileiro é um cara modista. No lugar que hoje estão as paletas, já tivemos os sorvetes italianos, o frozen iogurte. O mercado não vai desaparecer, vai estabilizar em uma patamar abaixo do primeiro ano e vai ficar na mão de quatro ou cinco redes. Em algum momento vai aparecer a próxima onda. Da mesma forma que vem, tende a perder força e aparece outra na sequência”, afirma.


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Simioni também aponta o segmento de sorvetes como perigoso para 2015. Mas não só as paletas, mas o sorvete de massa também, com várias marcas internacionais investindo no Brasil. “Provavelmente é um segmento que vai passar por uma consolidação, uma seleção natural. Algumas empresas boas vão sobreviver com bom apelo de marketing, com produto e principalmente uma logística bem estruturada”, afirma.

O terceiro negócio apontado como perigoso envolve o termo gourmet. De acordo com Molinari, as classes A e B são responsáveis por dois terços dos gastos com alimentação fora do lar. Isso significa que por mais que exista um contingente enorme das classes C e D nas ruas, quem movimenta o setor são as classes A e B. 

Por isso, muitos empreendedores posicionam seus negócios para essas classes, o que faz todo sentido. No entanto, trata-se de um público crítico, exigente e pouco fiel. “Onde está o risco? Grande parte dessas empresas tem tratado a gourmetização muito mais do ponto de vista de marketing e imagem do que do ponto de vista real. Em muitos casos, a segurança alimentar é mal tratada e a diferenciação do ingrediente não é verdadeira”, diz.

Segundo Molinari, a palavra gourmet está caindo em um certo abuso de aplicação, sendo um pouco banalizada. “É preciso avaliar se a melhor coisa é se posicionar como gourmet e se for fazer, faça de verdade. Porque a chance de pagar um preço alto por não cumprir a promessa é grande”, completa.

Saindo na área de alimentação, de uma maneira geral, os especialistas também fizeram seus alertas. Simioni, da GoAkira, alerta para os modelos de negócios tradicionais que dependem muito de água. Por exemplo, as empresas de lavagem de carros sofrem com a diminuição dos clientes e até a migração para o modelo de lavagem a seco. Outro alerta é para os negócios que dependem do dólar. “Quando se fala em importação, teremos tempos difíceis com real desvalorizado”, diz.

Souza, do Grupo Empreenda, também fez sua lista. Além de citar os produtos ou serviços alimentados por modismos, como as paleterias ou brigadeiro gourmet, o consultor também apontou:

-> Franquias com produtos ou serviços de luxo: os consumidores estão cada dia mais cientes do que realmente deveria custar cada produto ou serviço, sendo assim, há um aumento na percepção do que está com preço alto. Se o cliente não notar valor agregado que justifique pagar mais caro, não irá fazê-lo. Um bom exemplo de serviços “supérfluos” e que estão com baixa demanda são empresas que organizam festas caras.

-> Negócios que dependam de crédito ao consumidor: toda empresa que oferecer produtos e serviços para pagamento a longo prazo estão sujeitas a inadimplência que pode comprometer o fluxo de caixa.

-> Negócios que exijam altos investimentos (endividamento) ou estoque alto de reposição: a instabilidade econômica não é favorável às empresas que precisam de grandes financiamentos para “sair do papel”. É melhor investir em setores que estejam em alta, mas que sejam mais garantidos e possam dar um retorno financeiro a curto prazo.

-> Negócios que dependam de importação: empresas que dependem de fornecedores fora do País se tornaram muito arriscados em razão da alta do dólar, cada vez mais imprevisível. Se uma matéria-prima tem aumento de preço, há um impacto no preço final e o consumidor não irá arcar com essa diferença. A revenda de produtos importados também é arriscada, pois os consumidores já encontram soluções online para fazer a compra direta.

-> Negócios voltados ao turismo: embora os brasileiros valorizem e nunca deixem de investir em lazer, o setor de turismo é sempre impactado por crises econômicas. Viagens passam a ser mais curtas ou com custos menores. E quando o destino é internacional, a decisão de compra é mais criteriosa ainda, pois as cotações são em dólar.

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