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Estratégia| 25 de julho de 2012 | 16h 41

Floricultura precisa apostar no diferente

A forte concorrência dos supermercados obriga empresário do ramo a se reinventar. Quem consegue, fatura bem

Renato Jakitas, Estadão PME

Marcio Fernandes/AE
Marcio Fernandes/AE
Edison teve de mudar a empresa da família para sobreviver, mas hoje fatura até R$ 250 mil

 Diante da forte concorrência imposta pelas redes supermercadistas, que descobriram a venda por impulso de flores e plantas, as floriculturas passam por uma fase de transição. Período de redescoberta, onde investir em diferenciais não garante apenas a lucratividade da loja, mas principalmente a manutenção da porta aberta para o público.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), as vendas de flores movimentaram R$ 4,3 bilhões no decorrer do ano passado e o índice de crescimento oscila, ano a ano, entre 10% a 15% (foi 15% em 2011 e deve ser 10% em 2012).

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Paisagistas e jardineiros criam metade da demanda do setor – e até por conta do volume de compras, adquirem os produtos em atacadistas e produtores. A outra parte do bolo é dividida entre floriculturas tradicionais e virtuais, mercados especializados em jardinagem e supermercadistas, que hoje respondem por cerca de 15% das vendas para o consumidor final, com perspectiva de crescer ainda mais.

De acordo com Antonio Helio Junqueira, sócio da consultoria Hórtica, o caminho a ser trilhado pelas floriculturas – justamente por causa da concorrência – passa pelo aprimoramento do portfólio, que tende a assumir um perfil de nicho e com soluções cada vez mais artísticas dos arranjos oferecidos para os clientes.

A solução também está na profissionalização dos empresários, que ainda precisam adquirir conhecimentos técnicos sobre gestão do negócio. “O supermercado trabalha a flor como outras commodities. A floricultura deve aprimorar o arranjo, apresentar novas soluções e produtos”, afirma o especialista.

O choque de gestão esperado para o setor já foi, aliás, implementado por Edison Alexandre, dono da Flores Dora, uma das mais tradicionais da cidade de São Paulo. Fundada pelo pai de Alexandre em 1927, a empresa viveu seu ápice até a década de 90, quando o setor transformou-se e o negócio precisou passar por uma severa reestruturação. “A gente encolheu 50% do faturamento. Vendemos todas as lojas, com exceção de uma, e cortamos muitos funcionários”, lembra o empreendedor.

Atualmente, a Flores Dora fatura até R$ 250 mil por mês e faz vendas pela internet e telefone. “Esse é um negócio muito sazonal. A gente depende muito das datas de festas do comércio”, afirma o empresário.

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