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Nicho| 29 de agosto de 2014 | 7h 40

Do alfinete ao grampo, conheça os desafios de quem se especializa em fabricar miudezas

Empresários precisam sobreviver em segmento onde os custos são altos e o valor de venda é muito baixo

Gisele Tamamar, Estadão PME

Clayton de Souza
Clayton de Souza
Antonio Rielo busca novos clientes

Eles são pequenos, vendem objetos menores ainda e têm o desafio de lucrar com itens que custam centavos. As fábricas de bolinhas de gude, grampos, alfinetes e elásticos têm duas coisas em comum: buscam sobreviver em um mercado onde os custos são expressivos e os preços de venda, baixos.

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Elvio Aliprandi Júnior, por exemplo, comanda atualmente a Iara, fábrica comprada pela família do empresário em 1987. “Percebemos que seria necessário modernizar os equipamentos. Feito isso, nos tornamos uma das maiores empresas do segmento de armarinhos e papelaria”, conta. No começo, o forte era o alfinete. Hoje, a Iara também fabrica grampos para grampeadores e clipes. O último investimento foi feito em uma linha plástica, de componentes para pastas.

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“Hoje, nós temos necessidade de melhorar a margem, mas o mercado empurra para a diminuição do preço devido à concorrência. Tenho itens que de carro-chefe viraram complementos porque não tem como competir com os preços de importação”, lamenta.

Para o empreendedor, a palavra mais usada no segmento é uma só: sobrevivência. “Eu, como dono, participo de todas as negociações com os clientes quase que pessoalmente. Não podemos dar espaço para ninguém. O atendimento é o grande segredo”, afirma Aliprandi, que hoje conta com a ajuda do filho Ricardo na empresa.
O empresário Antonio Carlos Rielo também tem o desafio, atualmente, de lidar com o aumento do custo. Ele fabrica, em média, 400 mil bolinhas de gude por dia. “Cada vez o custo fica maior, sobe mão de obra, óleo, vidro, aumenta tudo. Aí tenho que aumentar o preço e o comprador reclama. É muito difícil crescer. Se manter do jeito que está, ótimo”, pontua o empresário, que fatura, em média, R$ 90 mil por mês.

Com o interesse das crianças pela bolinha de gude em queda, Rielo precisa diversificar a clientela. Ele também vende o produto para o mercado de decoração e para empresas que fabricam spray. “Se você chacoalhar o spray vai ouvir um barulhinho. É uma bolinha de gude. Vendo 3 milhões de bolinhas por mês para esse mercado.”

Já a Darma começou a fabricar grampos de cabelo em 1964 pela iniciativa do empresário Luiz Carlos Belline. Hoje em dia, a empresa, localizada na cidade de Garça, vende mais de 60 itens de higiene, cuidado pessoal e utilidades do lar. “Pequenos objetos baratos demandam uma alta escala de produção, caso contrário, não se sustentam no mercado em decorrência do preço. Agregar valor em produtos desse tipo é um pouco complicado, a concorrência fica mais por conta de preços. Porém, a clientela vem se tornando cada vez mais exigente, nos forçando a aprimorar os meios produtivos”, afirma João Luiz Bento Belline, sócio e filho do fundador do negócio.

“A empresa tenta se diferenciar em questões como agilidade nas entregas, flexibilidade em negociações com clientes e a busca por melhores condições com fornecedores para conseguir um preço melhor”, pontua o empreendedor.

O que fazer? O professor Cristian Minguens, da Anhembi Morumbi, destaca que a mão de obra, no caso dessas indústrias, tem um peso grande nos custos. “Uma boa administração em cima disso é decisiva para o sucesso e sobrevivência das empresas”, afirma o especialista. O segundo aspecto, para ele, é a importância da gestão industrial, cuidar dos custos, dos processos, analisar e racionalizar métodos de trabalho.

E para o coordenador da pós-graduação em gestão e tecnologias de projeto de produto do Centro Universitário da FEI, William Maluf, a questão desse mercado não deve ser a briga pelo menor preço à disposição do mercado. “A questão não é o preço. Não existe fórmula mágica, mas cada empresa tem suas especificidades e cada uma deve procurar agregar valor aos seus produtos. Tenho certeza que é possível fazer isso”, afirma o professor universitário.

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