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Diferente| 17 de setembro de 2012 | 8h 30

Criatividade e capital intelectual levam cada vez mais pequenas empresas ao sucesso

Mercado passa a dar mais valor para esses capitais; bem explorados eles podem ser boas opções de negócios

CRIS OLIVETTE, OPORTUNIDADES

Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE
Ricardo criou uma agência ainda na faculdade

 O desejo de ter uma festa de formatura repleta de criatividade e que marcasse para sempre a vida dos formandos em administração da Fundação Getúlio Vargas, foi o “estalo” para que Ricardo Buckup criasse a B2 agência de comunicação.

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“Nós queríamos uma festa diferente, com muita criatividade e inovação. Como não encontramos nada disso no mercado, encabecei uma comissão e produzimos a festa”, conta o empresário. O evento foi um sucesso e desde então a organização de festas de formatura virou um negócio bem sucedido e que sempre busca a originalidade.

A empresa de Buckup faz parte de um segmento de negócios chamado de economia criativa. A atividade pode ser definida como sendo um processo que envolve criação, produção e distribuição de produtos e serviços que usam o conhecimento, a criatividade e o capital intelectual como seus principais recursos.

E criatividade é o que não falta para o time da B2. Para uma turma de formandos da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), por exemplo, a empresa montou um espaço anexo ao salão de festas, conectado por um túnel, reproduzindo um ambiente da Fantástica Fábrica de Chocolate, com direito a um ator caracterizado de Willy Wonka, seis anões representando os Lupa Lupa, roda gigante e um lago feito de chocolate.

Com uma trajetória de dez anos, a B2 foca o público jovem na faixa de 18 a 30 anos. “A formatura está entre os cinco maiores eventos da vida de uma pessoa. Por isso, achamos importante inovar e não ter medo de ousar.”

No contato com os jovens, Buckup identificou nova oportunidade de mais um negócio inovador e passou a integrar o planejamento de eventos com plataformas de marketing.

“Nós conectamos empresas que querem aproximar sua marca dos jovens, por meio de três plataformas. Uma delas é totalmente digital e foca repúblicas universitárias. As outras são plataformas de relacionamento, sendo que uma é ligada às turmas de formandos com as quais mantemos contato durante o último ano da faculdade. A outra, chamada Universidade, é conectada às entidades estudantis.”

A empresa tem hoje 95 funcionários, dois escritórios e atende clientes como Natura e Itaú, além de realizar eventos de formatura para faculdades da Grande São Paulo, Campinas e região. Segundo Buckup, nos últimos seis anos o negócio cresceu 89%.

Já para Cristiano Buerger, o estalo para montar a catarinense Tecnoblu, especializada em etiquetas e componentes decorativos para confecção – um segmento de economia criativa –, surgiu da demanda do mercado.

“Eu representava uma fábrica paulista de etiquetas em Santa Catarina e como a demanda era maior do que a oferta, conclui que se eu montasse uma fábrica teria boas condições de crescer. E isso de fato ocorreu, entre 1994 e 1995 a empresa cresceu muito.” Mas, pela falta de um plano de negócio o empresário enfrentou grandes dificuldades depois de um ano.

“Aprendi com os erros e busquei capacitação. Depois que a situação financeira da empresa foi equacionada, em 1998, fui conhecer a melhor feira do segmento na Europa. Eu queria entender como esse mercado funcionava fora do Brasil.”

A pesquisa no exterior, a formação de um conselho consultivo na empresa, a aquisição de tecnologias inéditas no País e o desenvolvimento dos primeiros catálogos de tendências a partir de 2000, impulsionaram o crescimento da empresa. “Produzir os books fez grande diferença. Com essa inovação deixamos de ser apenas fornecedores e passamos a desenvolver os produtos junto com os clientes.” A situação abriu espaço para a criatividade fazer parte dos produtos, como as etiquetas que podem ser transformadas em porta - óculos ou bolsinhas.

Hoje, a Tecnoblu produz cerca de 16 books por ano apresentando mais de 1.500 produtos. Mantém um estúdio de criação com 12 ‘criativos’ desenvolvendo novas linhas de produtos. “Nos últimos dez anos crescemos 25% ao ano. Agora, acabamos de receber aporte de um fundo de investimento e teremos condições de acelerar o crescimento de forma sustentada”.

Para Isabella Prata, dona da Escola São Paulo, que há cinco anos oferece cursos de atualização na área criativa. Para, especialistas, houve uma mudança no mercado,já que o segmento passou a ser avisto como a bola da vez.

“Agora, as pessoas criativas passaram a ser vistas como geradoras de economia. Acho que sempre foram, mas agora são valorizadas. Hoje, qualquer industrial busca um designer para desenvolver um produto, por mais básico que seja, para que se torne competitivo no mercado”, afirma Isabella.

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