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Economia| 28 de junho de 2012 | 6h 22

Conheça o caso de três empresas que abrem mão de crescer por estratégia ou qualidade de vida

Estratégia de mercado? Busca pela qualidade de vida? Saiba o que leva um empresário a tomar a decisão de ficar pequeno

Renato Jakitas, Estadão PME

Marcio Fernandes/AE
Marcio Fernandes/AE
Patrícia Granha oferece atendimento exclusivo como principal diferencial

 Aumentar o faturamento, buscar e reter talentos para fazer frente à concorrência e aparecer a todo custo para, quem sabe, atrair um investidor. O que é normal para a maioria dos empreendedores não faz parte da rotina de alguns empresários, que para falar a verdade nem sequer plano de negócios têm. Eles são parte de um grupo de pessoas que encontra – ou planeja encontrar – o equilíbrio por meio do empreendedorismo. Embora acreditem que o tamanho de suas empresas, nesse caso, não é atestado para o sucesso.

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As sócias Vera Tortura, Eliana Benites e Paola Gorios representam bem esse ideal de empreendedorismo light. O trio comandam há seis anos o Café com Mandioquinha, uma espécie de café gourmet no centro de São Paulo. A intenção de permanecer com um negócio pequeno é tão grande que elas literalmente caem na gargalhada quando questionadas sobre as margens de lucro e os dividendos esperados para os próximos 12 meses.

“Olha só, a gente não planeja nem os tipos de tortas que colocamos para vender. Tem dia que a Vera acorda com vontade de fazer uma coisa, tem dia que é outra coisa”, afirma Eliana, que também é médica, a exemplo de Paola. “Quem fica todo dia aqui é a Vera. Mas quando não estamos no hospital, estamos no café. Eu faço questão de passar todos os dias no final da tarde.”

Eliana deixa claro que sua relação com a empresa é totalmente diferente da adotada pela maioria dos empreendedores.“É onde eu recarrego as energias. Vejo as pessoas entrarem aqui e ficarem conversando felizes. Sinto como se estivesse recebendo todo mundo em casa”, afirma.

Ponto final

Há alguns quilômetros do centro, no bairro da Pompeia, zona oeste da cidade, o comerciante Beto Isaac endossa a tese das donas do Café com Mandioquinha. O empresário, no entanto, cresceu um pouco – tem duas unidades do restaurante de comida árabe Arabesco e uma hamburgueria. Mesmo assim, Beto garante, parou por aí.

“Eu não sei o que vão fazer os meus filhos, que ainda não têm idade para pensar em negócios. Mas eu não quero crescer mais”, garante o empreendedor. Beto conta que poderia expandir os negócios por meio de franquias – um caminho natural de crescimento para muitos donos de empresas leia mais abaixo. “Já me procuraram para transformar o meu negócio em franquia. Mas eu não quis”, afirma.

Beto Isaac comanda três restaurantes diferentes, o que não quer dizer que ele viva em função desses negócios. “Eles ficam em um raio de dez quilômetros, o que acho possível de controlar. O mundo vive um pouco essa loucura capitalista. Mas eu busco o equilíbrio. Não dá para você ser o melhor pai, empresário, marido e amigo. A não ser que você seja um gênio”, destaca o empreendedor.

Beto conta que é vice-campeão mundial amador de windsurf, esporte que faz questão de praticar pelo menos duas vezes por semana. “Em agosto eu viajo com meu filho para a Itália para uma competição no Lago de Garda, que fica a cerca de 200 quilômetros de Milão.”

A estilista Patrícia Granha também faz caretas quando o que está em jogo é a expansão do seu ateliê, o Jardim Secreto. E não é por acaso que a empresa funciona em uma pequena casa de vila no bairro de Pinheiros, também na capital. “No meu caso, ficar pequena é uma questão de posicionamento”, explica.

De acordo com Patrícia, o foco do seu negócio é oferecer aquilo que as consumidoras não encontram na concorrência. “Eu trabalho com vestidos de festas e de noivas e minha proposta é ser megaexclusiva. As clientes chegam aqui, tomam café, comem chocolate e dão risada. Eu faço questão de ficar ao lado delas até o dia do casamento, por exemplo, quando as visto e vou embora”, descreve a empresária.

Patrícia teve a ideia de montar o negócio quando preparava-se para casar, há 10 anos, e achou o mercado impessoal demais para o momento. “O processo era muito comercial. Por isso, decidi investir nesse nicho.”




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